Novo Banco envia à PGR documentos sobre vendas de imóveis

O Novo Banco já enviou para a Procuradoria-Geral da República todos os documentos que suportaram duas vendas de carteiras de imóveis que deram prejuízo de 390 milhões.

O Novo Banco já enviou para a Procuradoria-Geral da República (PGR) todos os documentos que suportaram as operações de venda de carteiras de imóveis, apurou o ECO. Em causa estão os projetos “Viriato” e “Sertorius”, dois portefólios de imobiliário alienados em 2018 e 2019 e que originaram perdas de 390 milhões nos resultados do banco.

Contactado pelo ECO, o Novo Banco não faz comentários. Ainda assim, a entrega desta documentação surge numa altura em que o banco volta a estar no centro de nova polémica e que levou, de resto, o primeiro-ministro a pedir uma intervenção do Ministério Público para travar operações de vendas de ativos.

Entretanto, esta segunda-feira, a PGR já confirmou que está a analisar a carta enviada por António Costa na passada sexta-feira à procuradora-geral, Lucília Gago.

Há uma operação que está no centro das atenções: o Sertorius. Esta carteira com cerca de 200 imóveis gerou uma perda bruta de 329 milhões de euros na venda à Cerberus, um fundo de investimento com ligações recentes ao presidente do conselho geral de supervisão do Novo Banco, Byron Haynes. A transação gerou um impacto negativo líquido de 229 milhões. Segundo o jornal Público, esta operação motivou uma queixa à autoridade europeia (ESMA) com a denúncia de “gestão ruinosa” e “conflito de interesses”.

Em declarações ao Jornal Económico, na passada sexta-feira, o chairman do Novo Banco rejeitou qualquer suspeita, dizendo ser “inadmissível” que a sua independência seja questionada. Confirmou que foi CEO do BAWAG P.S.K, mas que nunca mais teve qualquer contacto com o Cerberus desde que saiu.

Também na passada sexta-feira, durante o debate sobre o Estado da Nação, o presidente do PSD lançou duras críticas à forma como o Novo Banco está a ser gerido e pediu que a justiça intervenha para se “debruçar” sobre as vendas de ativos problemáticos.

Tudo isto que temos visto e ouvido é já suficiente para que o Ministério Público se possa debruçar sobre a forma como este contrato de venda do Novo Banco à Lone Star tem vindo a ser executado”, referiu Rui Rio.

Por causa das perdas com a venda de ativos tóxicos e do impacto nos rácios, o Novo Banco tem vindo a pedir compensações ao Fundo de Resolução, ao abrigo do chamado mecanismo de capital contingente. Ao todo, já pediu cerca de 3.000 milhões de euros, sendo que poderá pedir mais 900 milhões ao fundo da banca para financiar resoluções bancárias e que é liderado por Máximo dos Santos.

(Notícia atualizada às 18h22)

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