China pede aos Estados Unidos que não abra “caixa de Pandora” ao bloquear TikTok

  • Lusa
  • 4 Agosto 2020

China descreveu como "pura manipulação" a campanha dos EUA contra a aplicação de vídeos TikTok. Alerta Washington para que não abra a "caixa de Pandora", caso contrário sofrerão as consequências.

A China descreveu esta terça-feira como “pura manipulação” a campanha dos Estados Unidos contra a aplicação de vídeos TikTok e alertou Washington para que não abra a “caixa de Pandora” ou, caso contrário, vai “sofrer as consequências”.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Wang Wenbin disse que “é habitual os Estados Unidos usarem o seu poder estatal para atacar violentamente empresas de outros países”.

“Se o erro de Washington se confirmar, qualquer país pode tomar uma ação semelhante contra qualquer empresa norte-americana, com base na segurança nacional”, afirmou.

“Os Estados Unidos não devem abrir a caixa de Pandora, caso contrário sofrerão as consequências”, vincou.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, concedeu à ByteDance, a empresa chinesa que detém o TikTok, um prazo até 15 de setembro para que a aplicação seja adquirida por capital norte-americano, ou então será banida por motivos de segurança nacional.

Trump garantiu ainda que o Departamento de Tesouro deve “receber muito dinheiro” da operação de venda, sem especificar como.

“Não me importo se é a Microsoft ou outra grande empresa, mas tem que ser uma empresa segura, uma empresa muito americana que deve comprar”, disse.

O TikTok, que nos EUA tem mais de 80 milhões de utilizadores, é uma das redes sociais que mais cresceu nos últimos anos no país, sobretudo entre adolescentes, e um canal de promoção para celebridades.

A administração Trump, assim como congressistas democratas, garantem que o amplo uso do TikTok põe em risco a privacidade dos dados dos norte-americanos e a segurança do país, alertando que a ByteDance está sujeita a intervenção do Governo chinês.

O fundador e CEO da ByteDance, Zhang Yiming, mostrou numa carta enviada aos funcionários o seu desacordo com a decisão de Washington de forçar a venda da subsidiária nos EUA, afirmando que a empresa “sempre se comprometeu a proteger os dados dos usuários e a manter a neutralidade e transparência do TikTok”.

O porta-voz da diplomacia chinesa garantiu esta terça-feira que as empresas chinesas conduzem atividades comerciais nos Estados Unidos de acordo com os princípios do mercado e em conformidade com as leis dos EUA, e descreveu as ações do Governo de Trump como “manipulação política”.

“A eliminação de empresas não americanas, sob o pretexto de segurança nacional e sem qualquer evidência, viola os princípios da economia de mercado e os princípios de abertura, transparência e não discriminação da Organização Mundial do Comércio (OMC)”, afirmou.

Wang pediu a Washington que “ouça atentamente as vozes dentro do próprio país e da comunidade internacional, desista de politizar os assuntos económicos e disponibilize um ambiente de investimento aberto, justo e não discriminatório para todos os participantes do mercado nos Estados Unidos”.

O caso do TikTok é o episódio mais recente na escalada de tensões entre China e EUA, que defrontam já uma prolongada guerra comercial e tecnológica, e disputam a influência na Ásia.

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