Reino Unido vai gastar milhões para ajudar empresas da Irlanda do Norte

  • Lusa
  • 7 Agosto 2020

Governo de Boris Johnson vai gastar 355 milhões de libras para ajudar as empresas na Irlanda do Norte a lidar com a burocracia provocada pelo Brexit.

O Governo britânico vai gastar 355 milhões de libras (cerca de 400 milhões de euros) para ajudar as empresas na Irlanda do Norte a lidar com a burocracia provocada pelo Brexit, anunciaram as autoridades.

Reino Unido e União Europeia (UE) estão a tentar negociar um novo acordo comercial antes de terminar o prazo de transição do Brexit, que dura até final deste ano, mas algumas questões importantes continuam em aberto, incluindo as regras de concorrência e os direitos de pesca, assim como a situação da Irlanda do Norte.

Os partidários do Brexit, incluindo o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, defendem que deixar a UE será um benefício para as empresas do Reino Unido, mas muitos especialistas não escondem o ceticismo, lembrando que o processo de saída apresenta desafios difíceis para a Irlanda do Norte, que faz fronteira com a Irlanda, membro da comunidade.

Um acordo de retirada entre as duas partes exige que a fronteira quase invisível entre a Irlanda e a Irlanda do Norte permaneça livre de postos alfandegários e de outras barreiras, o que implica novos controlos sobre as mercadorias que circulam entre a Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido.

O Governo britânico acredita que os prejuízos serão mínimos e quer criar um Serviço de Apoio ao Negociante, para ajudar as empresas da Irlanda do Norte a lidar com declarações alfandegárias e outros documentos envolvidos na importação de mercadorias.

O Governo de Boris Johnson assegura que vai investir até 200 milhões de libras (cerca de 220 milhões de euros) neste esquema, ao longo de cinco anos, e que também vai gastar até 155 milhões de libras (cerca de 170 milhões de euros) em nova tecnologia para o suportar.

Durante uma visita à Irlanda do Norte, o ministro com a pasta dos preparativos do Brexit, Michael Gove, negou que venha a existir uma “fronteira no mar da Irlanda”.

“As empresas da Irlanda do Norte e o povo da Irlanda do Norte continuarão a ter acesso totalmente irrestrito ao resto do Reino Unido”, disse Michael Gove, apesar de reconhecer que haverá novos processos burocráticos.

Os anúncios feitos esta sexta-feira pelo Governo incluem ainda 300 milhões de libras (cerca de 320 milhões de euros) para projetos de paz e reconciliação na Irlanda do Norte, em resposta aos que temem que o Brexit possa minar o processo de paz, que encerrou três décadas de violência, endurecendo a fronteira com a República da Irlanda.

Apoiantes do Brexit dizem que, ao deixar o mercado único da UE, o Reino Unido poderá fazer novos acordos comerciais em todo o mundo, lembrando que há negociações em curso com vários países, como os Estados Unidos e o Japão.

Ainda esta semana, negociadores britânicos e japoneses reuniram em Londres, reconhecendo que estavam perto de um acordo, embora ainda não o tenham fechado.

O Japão é o quarto maior parceiro comercial do Reino Unido fora da EU e as negociações abrangem as difíceis áreas da indústria automóvel e da agricultura.

A secretária de Comércio Internacional do Reino Unido, Liz Truss, disse que os dois lados “chegaram a um consenso sobre os principais elementos de um acordo – incluindo disposições ambiciosas em áreas como digital, dados e serviços financeiros” e acrescentou que esperava poder fechar um acordo ainda em agosto.

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