DBRS antecipa maior deterioração da qualidade dos ativos da banca com fim das moratórias

A agência de notação financeira alerta para uma maior deterioração da qualidade dos ativos da banca nacional em 2021 devido ao fim das moratórias no crédito previsto para esse ano.

A DBRS destaca o papel positivo que as moratórias nos créditos e a garantia estatal estão a desempenhar na proteção da qualidade dos ativos da banca, mas está preocupada com o que vem a seguir. Numa análise aos resultados dos bancos nacionais, relativos à primeira metade do ano, a agência de notação financeira antecipa uma deterioração da qualidade dos ativos dos bancos “mais pronunciada” em 2021 e o aumento do malparado, quando ocorrer o alívio destas medidas de apoio.

Na análise divulgada esta segunda-feira, a agência de rating canadiana começa por referir-se à “queda significativa” dos resultados da banca nacional que considerando de forma agregada a CGD, BCP, Novo Banco, Santander Totta, BPI e Banco Montepio passaram de lucros de 600 milhões de euros na primeira metade de 2019, para prejuízos de 66 milhões no primeiro semestre deste ano.

A DBRS recorda que esses resultados foram afetados pela subida do nível de provisões, pela pressão sobre as receitas devido à degradação do ambiente económico provocado pela pandemia de Covid-19, referindo ainda o impacto resultante da reestruturação em alguns casos.

E do ponto de vista positivo, a agência salienta o papel que as moratórias no crédito e as garantias estatais nos empréstimos estão a ter no que respeita à proteção da qualidade dos ativos dos bancos. Mas apesar disso, antecipa que a “deterioração da qualidade dos ativos irá ser mais pronunciada em 2021 em associação com o alívio dessas medidas de suporte”.

De salientar que a moratória pública termina a 31 de março do próximo ano e que a moratória da Associação Portuguesa de Bancos (APB) acaba a 30 de junho para os créditos não hipotecários, sendo que no final do primeiro semestre deste ano, cerca de 22% dos créditos dos bancos estavam protegidos por esses mecanismos.

“Apesar da expectativa de algum alívio devido aos programas de moratória de crédito e empréstimos garantidos, a DBRS espera um aumento nos empréstimos de stage 2 (isto é o risco de crédito aumentou significativamente desde o reconhecimento inicial) bem como fluxos de NPL [créditos não produtivos, ou seja malparado] mais elevados associados ao alívio das medidas de suporte em 2021″, diz assim a agência de notação financeira. E acrescenta ainda que “adicionalmente, o ambiente atual torna mais difícil para os bancos reduzir os NPL pré covid-19”.

(Notícia atualizada às 10h11)

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