Vírus encolhe lucros. Maiores bancos põem de lado 580 milhões

Principais bancos chegam ao final da primeira metade do ano com prejuízos agregados de 15 milhões (por culpa do Novo Banco). Pandemia obrigou-os a registarem 580 milhões em imparidades e provisões.

Se alguém pensava que os bancos podiam tirar dividendos da crise da pandemia, eis os resultados do primeiro semestre a provarem que os novos tempos são, no mínimo, desafiantes também para o setor financeiro. O vírus já está a contaminar as contas das principais instituições. O pior é que o pior ainda estará para chegar.

E foi à espera desse cenário desfavorável que os cinco principais bancos portugueses já puseram de lado mais de 580 milhões de euros em imparidades e provisões. É dinheiro que deixaram de lucrar (para já, pelo menos) e que servirá para cobrir eventuais perdas com incumprimentos no crédito, o que é altamente expectável assim que terminar o período das moratórias nos empréstimos. Se houver alguma reversão, depois terão mais lucros.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi quem mais dinheiro colocou de lado: 156 milhões de euros. Seguiram-se Novo Banco (138 milhões), BCP (109 milhões) e Santander Totta (101 milhões). O BPI guardou 83 milhões para a crise.

Provisões e imparidades superam os 580 milhões

Fonte: Bancos

Novo Banco atira setor para prejuízos

Mais imparidades e provisões traduzem-se em menos lucros. Aliás, o resultado líquido no conjunto dos cinco bancos foi negativo em 15 milhões de euros. E tudo por culpa do Novo Banco, que reportou prejuízos 555 milhões de euros, os quais não foram compensados pelos outros bancos que tiveram lucros. Do outro lado, a Caixa registou um resultado líquido de quase 250 milhões e liderou neste capítulo, ainda que o lucro tenha caído 40%.

O coronavírus está a ter reflexos na rentabilidade, que já não era famosa por cá e obrigará alguns bancos a adiar para objetivos. O BCP, que fazia mira a um ROE (retorno do capital) de 10% em 2021, chegou ao final de junho com o indicador abaixo de 3%. Os outros bancos também viram os seus ROE deslizarem no semestre: o Santander Totta passou de 13% para 8%, menos cinco pontos percentuais; a CGD fixou o ROE nos 9,1%.

A margem financeira — que resulta dos juros recebidos nos empréstimos menos os juros pagos nos depósitos — esteve pressionada: contraiu quase 2% para 2.169 milhões de euros.

Prejuízos do Novo Banco apagou setor

Fonte: Bancos

Mais de 367 mil moratórias seguram malparado

Do lado da qualidade dos ativos, também é expectável uma deterioração dos balanços do banco, com a subida do malparado. Com empresas na falência e mais pessoas desempregadas, muitas deixarão de conseguir honrar os seus compromissos com os bancos.

Porém, esse efeito ainda não está totalmente incorporado pelos bancos por causa das moratórias no crédito, que têm dado um balão de oxigénio à economia. No total, foram concedidas mais de 367 mil moratórias no valor de 37 mil milhões, de acordo com os dados revelados pelos bancos na última semana.

Valor das moratórias ascende a 37 mil milhões

Fonte: Bancos

Por causa disso, para já, os rácios de NPE (ativos não produtivos) vão refletindo aquilo que foi o esforço da banca de reduzir a exposição a ativos problemáticos nos últimos anos. À exceção do Santander Totta, todos os restantes bancos melhoraram neste capítulo, destacando-se o Novo Banco (o rácio de NPL caiu de 20% em junho de 2019 para 10% em junho de 2020, depois das vendas de grandes carteiras). A Fitch vê o malparado a subir no próximo ano, mas abaixo dos níveis observados na anterior crise.

Uma boa notícia para o fim: o aumento do crédito concedido à economia, neste aperto da economia. À boleia das linhas Covid-19, disponibilizadas pelo Governo e que beneficiam de garantias públicas, os bancos aprovaram 6,3 milhões de euros em financiamentos. O BCP liderou com 2.500 milhões aprovados.

Entretanto já este sábado, também o Banco Montepio divulgou os resultados relativos à primeira metade do ano. Tal como o Novo Banco, a instituição financeira liderada por Pedro Leitão teve prejuízos. Estes ascenderam a 51,3 milhões de euros, o que compara com lucros de 3,6 milhões registados no ano passado, com o banco também afetado pelo aumento das imparidades e pela necessidade de constituição de provisões para fazer face aos efeitos da pandemia.

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