Montepio passa de lucros a prejuízos de 51,3 milhões de euros penalizado pela pandemia

Resultados do banco foram afetados pelo aumento das imparidades e pela necessidade de constituição de provisões para fazer face aos efeitos da pandemia.

O Banco Montepio terminou o primeiro semestre com prejuízos de 51,3 milhões de euros, o que compara com lucros de 3,6 milhões registados nos na primeira metade do ano passado. Os resultados da instituição financeira foram afetados pelo aumento das imparidades e pela necessidade de constituição de provisões para fazer face aos efeitos da pandemia, deu conta a instituição financeira este sábado.

“Os resultados líquidos do primeiro semestre de 2020 foram determinados pelo maior nível de imparidades e provisões constituídas na sequência da revisão em baixa do cenário macroeconómico devido ao impacto da Covid-19 nos agentes económicos, quer nos particulares, quer nas empresas”, esclarece o banco por Pedro Leitão em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O banco diz ter registado 109,4 milhões de euros de imparidade de crédito que resultam do aumento do risco de crédito motivado pela pandemia Covid-19 e pelo reforço dos níveis de imparidade. Ou seja, um incremento de 67,4 milhões de euros face ao verificado no mesmo período do ano passado. Já o agregado das outras imparidades e provisões, relacionadas com outros ativos financeiros, com outros ativos e com provisões, totalizaram 12,8 milhões de euros, “como resultado do aumento do risco de crédito, incluindo instrumentos de dívida, e em imóveis recebidos em dação”.

Em termos operacionais, o produto bancário core do Montepio diminuiu 2,2% para 178,3 milhões de euros, tendo a margem financeira recuado 4,5% para 114,7 milhões de euros. Segundo o banco tal traduz “os efeitos desfavoráveis de fatores exógenos associados à pandemia Covid-19 e que determinaram menores níveis de atividade nos clientes particulares e nas empresas, e também das taxas de juro de mercado permanecerem em níveis muito baixos”.

Apesar disso o banco destaca que “o desempenho da margem financeira no primeiro semestre de 2020 beneficiou da gestão sistemática do pricing dos depósitos de clientes de retalho e institucionais, onde se observou, em ambos os casos, uma redução do custo destes recursos”.

Já as comissões líquidas contabilizadas no primeiro semestre de 2020 sofreram uma quebra “ao incorporarem o efeito da redução da atividade económica no segundo trimestre deste ano”. Estas passaram de 57,7 milhões de euros no primeiro semestre de 2019 para 56,1 milhões de euros na primeira metade deste ano.

O crédito a clientes subiu 0,8% (+90 milhões de euros), ascendendo a 11.554 milhões de euros, “mantendo, assim, a inversão da tendência de descida observada em trimestres”, com o crédito concedido às empresas a subir de 329 milhões de euros, “concretizando a ambição de incrementar o volume de negócios junto das PME e das empresas do middle market“.

Já os depósitos sofreram uma quebra, passando de 12.680 milhões de euros no final do primeiro semestre do ano passado para 12.422 milhões de euros no final de junho deste ano, com o Montepio a dizer que “evidenciam a diminuição registada por alguns clientes institucionais, por um lado, e o aumento observado nos segmentos de particulares e das PME, por outro.

Montepio aprovou 34 mil moratórias

O Montepio diz ainda ter concedido 34 mil moratórias no valor de 3 mil milhões de euros deste o lançamento desta medida de apoio em março. Dessas, 20,5 mil foram concedidas a famílias e 13,5 mil a empresas.

Já no que respeita ao apoio ao tecido empresarial, entre abril e junho do corrente ano, foram subscritas cinco linhas protocoladas específicas para as empresas — Apoio à economia; Capitalizar 2018 Covid-19; Investe RAM; Capitalizar 2018;
Açores Covid-19 — com o Banco Montepio a adiantar que neste âmbito apoiou mais de 1.250 empresas nacionais.

(Notícia atualizada às 11h00)

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