Jovens portugueses deixam casa dos pais mais tarde do que na média da UE

Os jovens adultos portugueses deixam a casa dos pais, em média, aos 29 anos, o que coloca Portugal em 7.º lugar entre os Estados membros da UE e acima da média europeia, fixada nos 26,2 anos.

Para muitos jovens, sair de casa dos pais representa um passo para a vida adulta e para a independência. Os jovens adultos portugueses deixam a casa dos pais, em média, aos 29 anos, o que coloca Portugal acima da média entre os Estados-membros da UE, de 26,2 anos em 2019, apontam dados do Eurostat divulgados esta quarta-feira.

Em Portugal, mais de 40% dos jovens adultos portugueses, entre os 25 e os 34 anos, ainda continua a viver em casa dos pais. Os preços do mercado imobiliário, as possibilidades de emprego, a incapacidade financeira, o facto de estudarem ou terem (ou não) um parceiro e, ainda, motivos culturais, estão entre as várias razões que justificam esta realidade. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, os jovens são os mais afetados, sendo que um em cada seis perdeu o emprego desde o início da pandemia.

Olhando para o Estados-membros do sul da Europa, a média para deixar a casa dos pais é aos 30 anos. No mesmo grupo de Portugal, surgem países como a Grécia, Roménia, Eslovénia e Turquia. Não tão longe da realidade portuguesa, estão os jovens adultos que vivem em países como Itália, que saem de casa dos pais aos 30,1 anos de idade, na Bulgária aos 30 anos, em Espanha aos 29,5 anos e em Malta aos 29,9 anos.

Entre 2006 e 2019, a idade média para sair de casa dos pais para os jovens portugueses aumentou dos 28,3 para os 29,0.

De acordo com um estudo da Fundação Gulbenkian, divulgado em julho, esta tendência tem vindoa aumentar devido à incapacidade financeira dos jovens para pagar a sua própria habitação. O mesmo estudo aponta que em 2017, mais de 63% dos jovens adultos portugueses entre os 18 e os 34 anos viviam em casa dos pais.

Em 2019, a Suécia bateu o recorde do país onde os jovens deixavam mais cedo a casa dos pais: 17,8 anos, seguindo-se Luxemburgo (20,1 anos), Dinamarca (21,1 anos) e Finlândia (21,8 anos). Também na Estónia, França, Alemanha e Holanda, os jovens adultos saem de casa com menos de 25 anos.

Os dados do início deste ano, colocam a Eslováquia no fim da lista —onde os jovens saem casa dos pais quase aos 31 anos –, e a Croácia, onde mais de 60% dos jovens nesta faixa etária ainda não saiu de casa e só o faz depois dos 30 anos.

Jovens mulheres saem mais cedo

Entre 2002 e 2006, a idade média para sair de casa dos pais entre os 27 Estados-membros subiu dos 26,5 anos para os 26,8 anos. Em 2019, a média estabilizou nos 26,2 anos. Em quase todos os países, as mulheres saem mais cedo do que os homens, à exceção do Luxemburgo, onde a diferença não é significativa.

“Deixar a casa dos pais está geralmente relacionado com o facto de os jovens terem, ou não, um parceiro, estarem a estudar, ou com o seu nível de independência financeira, com as condições do mercado de trabalho, com a facilidade em comprar casa, mas também com questões culturais”, sublinha o gabinete de estatísticas da UE.

Em 2019, foram as mulheres quem saiu mais cedo de casa dos pais em quase todos os Estados membros da UE. É nos países do Leste europeu que se regista uma maior diferença de género, principalmente na Roménia: as mulheres saem de casa com pouco mais de 25 anos e os homens só depois dos 30 anos. As jovens adultas também saem antes dos homens em países como a Bulgária, a Letónia, Hungria e Eslováquia.

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