Contabilistas denunciam pressão da banca para darem falsas declarações

  • ECO
  • 14 Agosto 2020

Ordem dos Contabilistas Certificados recebeu mais de 90 queixas de contabilistas que dizem-se pressionados pela banca a prestar falsas declarações para empresas poderem beneficiar de linha de crédito.

A Ordem dos Contabilistas Certificados já recebeu mais de 90 queixas por parte de contabilistas que estarão a ser pressionados pela banca a prestar falsas declarações sobre quebras de faturação dos seus clientes de 40% ou mais, quando esta quebra não se verifica, avança o Jornal de Negócios (acesso pago) esta sexta-feira.

A denúncia foi feita por Paula Franco, Bastonária daquela Ordem, que explica que o objetivo dessa pressão será permitir que as empresas acedam indevidamente à linha de crédito de mil milhões de euros para micro e pequenas empresas, que tem garantias do Estado. Essa adesão exige, precisamente que tenham sido registadas quebras de faturação de pelo menos 40% entre março e maio.

Durante uma conferência que a OCC organiza semanalmente para esclarecer as dúvidas dos contabilistas, Paula Franco classificou como “grave” essa situação, sendo que em declarações àquele jornal disse que o processo está em fase de sigilo, mas garantiu que fará chegar as provas ao Ministério Público das situações denunciadas pelos contabilistas, esclarecendo ainda que “falsas declarações neste âmbito é crime público“.

APB diz que haverá consequências para eventuais condutas ilegais

Em reação ao Jornal de Negócios esta sexta-feira, a Associação Portuguesa de Bancos (APB) assegura que haverá consequências para eventuais condutas ilegais. “Quaisquer condutas isoladas de colaboradores bancários, que se hajam eventualmente afastado das regras éticas e legais que norteiam a atuação dos bancos, serão certamente alvo de análise e aplicação das medidas adequadas, por parte das Instituições“, diz fonte oficial.

Já o Ministério da Economia — responsável pelas linhas de crédito — diz que soube da denúncia pela imprensa e que espera pela investigação da justiça. “A Senhora Bastonária referiu entretanto que a Ordem encaminhará para o Ministério Público as provas de que dispõe para serem, como deverão ser, devidamente investigadas”, informa fonte oficial, concluindo que “no caso de se virem a provar as ilegalidades denunciadas pela Senhora Bastonária, serão, naturalmente, analisadas e punidas nos termos da Lei“.

(Notícia atualizada às 15h52 com reação da APB e do Ministério da Economia)

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