Teletrabalho veio para ficar nas “big four”. Flexibilidade, rotatividade e apps são o novo normal

Teletrabalho voluntário ou regresso ao escritório? O trabalho remoto tem sido regra para a Deloitte, EY, PwC e KPMG, que já estão a implementar os planos pós-pandemia e ninguém antecipa voltar a 100%.

Após meses de confinamento devido à pandemia, empresas e trabalhadores tentam adaptar-se à nova realidade. Segurança, flexibilidade e produtividade são algumas das razões que levado empresas (em especial grandes tecnológicas) a considerar dar continuidade ao teletrabalho, mesmo num cenário pós-pandemia.

Nas quatro maiores empresas de auditoria e consultoria a nível global (as big four), o teletrabalho também foi regra e todas procuram agora um equilíbrio entre o trabalho remoto e o presencial. Apesar das diferentes estratégias — entre quem tem empresas em espelho ou deu liberdade de escolha a quem queira ficar em casa –, há algo em comum: para já, ninguém pensa num regresso a tempo inteiro.

PwC deixa porta aberta a trabalho remoto

No Reino Unido, a PwC já informou que o regresso ao escritório para os 22.000 trabalhadores no Reino Unido é “voluntário”, apesar de a previsão apontar que os escritórios não deverão ultrapassar 50% da capacidade até ao final do ano, avançou esta terça-feira o The Guardian (conteúdo em inglês, acesso livre).

Em Portugal, fonte oficial da empresa explica à Pessoas que “irá prevalecer o maior equilíbrio entre o tempo de escritório e o tempo de teletrabalho”, principalmente devido à incerteza sobre uma possível segunda vaga da pandemia que possa obrigar ao novo confinamento. Esta decisão, por agora, “materializar-se-á no reforço da política já existente do trabalho remoto.”

Em Portugal, os trabalhadores da Pwc estiveram em teletrabalho deste 12 de março e o regresso gradual aos escritórios começou a 1 de junho.

Teletrabalho é uma escolha dos trabalhadores da EY

Há cinco anos que a EY tem implementado o programa EY@Work, que permite aos colaboradores trabalharem à distância sempre que necessitem, e assim vai continuar. “Mantemos a firme convicção de que o nosso maior ativo são as pessoas, pelo que a valorização dos recursos humanos é uma prioridade. A escolha continuará a ser das pessoas, que, além da possibilidade de trabalhar nas suas casas, terão os clientes e as nossas instalações sempre prontas a recebê-las“, sublinha Telma Franco, brand marketing & communications director na EY.

“Este modelo, que tem funcionado naturalmente na EY, intensificou-se com a pandemia. A força laboral, como em muitas outras atividades, teve de passar a trabalhar a partir de casa, o que levou a ajustes ao normal funcionamento da nossa atividade em termos físicos e ao nível de reorganização dos fluxos de trabalho“, sublinha.

A responsável recorda ainda que o desempenho em teletrabalho tem sido muito positivo, o que permitiu recrutar 75 trabalhadores durante o estado de emergência, numa experiência 100% remota.

KPMG quer voltar, mas com flexibilidade

Desde 1 de junho, as equipas da KPMG estão a trabalhar em regime de rotatividade, em “espelho”, adaptadas à logística de cada uma das áreas. Há pouco mais de um ano, a consultora mudou as instalações para o edifício FPM41, cuja configuração de espaços mais amplos aumenta a segurança dos trabalhadores que regressem ao escritório.

Para ajudar a reorganizar o regresso aos escritórios, a KPMG cedeu lugares de estacionamento aos trabalhadores que costumavam utilizar transportes públicos e adaptou a app KPMG Care App — uma app criada pela KPMG para ajudar os serviços de saúde suíços — ao meio corporativo. Através desta aplicação, os trabalhadores podem agendar salas de reuniões ou open spaces antes de chegar ao escritório, o que permite otimizar a utilização dos espaços e garantir a segurança de quem se desloca para o escritório.

Na KPMG Care App podem ainda fazer um diagnóstico de sintomas comuns de Covid-19, cujo resultado indica se devem dirigir-se ao escritório ou permanecer em casa em teletrabalho.

À Pessoas, fonte oficial da empresa explica ainda que poderão rever as regras em setembro, mas sublinha que o ideal seria regressar aos escritórios, mantendo um regime de flexibilidade para os trabalhadores, pois há funções mais complexas e de caráter colaborativo, que podem sair prejudicadas em regime de teletrabalho.

Deloitte adota regime opcional de part-time

Também a Deloitte adotou o regime de teletrabalho em março, na altura em que o país foi atingido pela pandemia da Covid-19, e ainda antes da declaração do Estado de Emergência. No final de junho, a consultora adiantou que tinha implementado um “programa de part-time”, de adesão voluntária, ou seja, um “regime opcional de redução de carga horária”, que deverá vigorar até 30 de setembro. A Deloitte referia também, nessa altura, o compromisso de contratar cerca de 250 jovens recém-formados de forma faseada em outubro e janeiro de 2021.

Atualmente, a consultora tem em curso o modelo de trabalho rotativo, em que 50% dos trabalhadores se dividem nas idas ao escritórios por períodos de 15 dias. O objetivo é “proteger todas as interações profissionais, garantir a segurança dos seus profissionais e, simultaneamente, assegurar a qualidade e rigor dos serviços”, refere fonte oficial da empresa.

Contactada pela Pessoas esta semana, a empresa não adiantou mais detalhes sobre a continuidade deste regime no “pós-pandemia”, mas assegura que continuará atenta à evolução das recomendações das autoridades de saúde.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Teletrabalho veio para ficar nas “big four”. Flexibilidade, rotatividade e apps são o novo normal

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião