Teletrabalho, part-time voluntário e mais férias (não pagas). Há um “novo normal” nas “big four”

Teletrabalho, equipas em "espelho", part-time voluntário e dias de férias extra, sem remuneração. É assim que Deloitte, EY, PwC e KPMG respondem à pandemia.

A pandemia de coronavírus apanhou todos de surpresa. Desde os cidadãos às empresas, sendo que as grandes consultoras e auditoras a nível mundial não escaparam. Deloitte, PwC, KPMG e EY, conhecidas como as big four tiveram de se adaptar ao “novo normal” nos negócios, mas também no que toca ao funcionamento interno. Os milhares de trabalhadores passaram para trabalhar mais à distância, mas também passaram, em alguns casos, a fazê-lo durante menos horas.

Todas recorreram ao trabalho remoto, numa primeira resposta às condicionantes em termos de deslocação dos funcionários e utilização dos respetivos espaços. O regresso ao trabalho presencial, faz-se por grupos, havendo outras medidas a serem adotadas, como seja o part-time voluntário e dias de férias extra, sem remuneração.

Veja o que está a fazer cada uma das quatro gigantes.

Trabalhar cinco, três ou dois dias e meio por semana. Deloitte dá a escolher

Na Deloitte foram adotadas medidas para “garantir o bem-estar” dos cerca de 3.000 trabalhadores, mas também assegurar o “serviço aos clientes e a sustentabilidade do negócio”, adiantou fonte oficial da consultora ao ECO.

Com os colaboradores a regressarem à sede faseada e alteradamente, a empresa decidiu criar para os próximos meses um “programa de part-time”, de adesão voluntária, disse a mesma fonte. Trata-se de um “regime opcional de redução de carga horária” a vigorar desde 1 de junho e até 30 de setembro. A empresa não adiantou mais pormenores, mas o ECO sabe que funciona através de uma redução salarial em função da redução de horário. Assim, foram propostas aos colaboradores três opções: trabalhar 80% (quatro dias por semana) e receber 84% do salário, trabalhar 60% (três dias por semana) e receber 68% ou trabalhar 50% (2,5 dias por semana) e receber 60% do normal.

Apesar dos impactos da pandemia, a Deloitte mantém “o compromisso de contratação de cerca de 250 jovens recém-formados”, adiantou fonte oficial da consultora. Contudo, em vez de essas contratações acontecerem em setembro, como é usual, vão acontecer de forma faseada em outubro e janeiro de 2021. “Uma medida de natureza excecional”, sublinha a mesma fonte.

O ECO sabe também que, tal como nos anos anteriores, os aumentos salariais anuais vão acontecer, independentemente desta situação. Para além destas medidas, fonte oficial da Deloitte afirma que não estão previstas “quaisquer outras medidas adicionais às que já foram adotadas até ao momento”.

PwC não vai congelar “salários, prémios ou promoções”

A PwC colocou os colaboradores em casa desde 12 de março, a trabalharem remotamente. Ao ECO, fonte oficial da consultora explica que a comunicação entre a empresa e os funcionários tem sido feita com “regularidade e transparência” e isso “tem permitido que a firma esteja a funcionar sem danos significativos”.

Desde 1 de junho que a PwC implementou o “regresso faseado aos seus escritórios de Lisboa e Porto através de uma divisão por grupos”. O objetivo foi “evitar aglomerações” e garantir “o distanciamento social necessário nos postos de trabalho”. Além disso, foram disponibilizados kits de higiene e segurança aos colaboradores, a quem a temperatura é medida à entrada dos edifícios.

Assim como desde o início, a PwC garante: “Não estamos a prever qualquer redução de horários, nomeadamente o lay-off”. Não está previsto o congelamento de salários, prémios ou promoções e essa foi uma informação já transmitida a todos os colaboradores. “Estamos e iremos continuar a analisar casuisticamente o modo como todos entraremos num processo de recuperação e de que modo isso impactará no negócio”, diz a mesma fonte.

KPMG dá 22 dias úteis de férias (não pagos). Mas mantém aumentos aos salários mais baixos

A KPMG tomou medidas logo no início da pandemia em Portugal e decidiu oferecer a partir de maio aos colaboradores 22 dias úteis de férias, mas não remunerados. “Cada pessoa pode gozar de acordo com a sua conveniência”, explica fonte oficial da auditora ao ECO. Trata-se de uma “adesão absolutamente voluntária” e pode ser gozada de várias maneiras: um dia por semana, todas as semanas, semana a semana, de 15 em 15 dias ou até durante um mês inteiro.

Questionada sobre a alternativa oferecida a quem decidiu não optar por esta alternativa, a mesma fonte explicou que “a adesão foi de praticamente 100%” e que “não houve praticamente nenhum caso em que isso se colocou”, a não ser por questões de doença ou gravidez. Esta foi uma “opção estratégica da KPMG para fazer face ao impacto da crise” e que vai vigorar até ao final do ano.

A consultora optou por não recorrer ao lay-off, assumindo o pagamento integral a todos os colaboradores. Além disso, os aumentos salariais anuais que costumavam acontecer mantêm-se, mas apenas aos escalões mais baixos. “Priorizámos o emprego de todos e decidimos manter os aumentos salariais apenas para os trabalhadores com salários mais baixos e fazer o congelamento de todos os outros.

Apesar dos impactos, a KPMG contratou cerca de 40 recém-licenciados em março/abril. “Contratámos todas as pessoas com quem nos tínhamos comprometido em fevereiro, por uma questão de princípios. Não havia contrato assinado, apenas um email”, diz a mesma fonte. Além disso, em setembro vai ser contratada mais uma centena de recém-licenciados. Ao ECO, a mesma fonte adiantou que “têm sido renovados vários contratos, quer para ir para os quadros da empresa, quer a prazo”.

EY privilegia o trabalho remoto a tempo inteiro

Na EY optou-se de imediato por colocar em teletrabalho todos os funcionários e, mesmo no final de junho, a medida mantém-se e ainda não há perspetivas de reverter esta decisão. Ao ECO, fonte oficial da consultora adianta que, “neste momento, a larga maioria da força laboral mantém-se em teletrabalho, sendo que podem deslocar-se ao escritório sempre que necessitarem”. Isto porque as instalações da EY estão “preparadas para dar cumprimento a todas as regras de higienização e distanciamento social recomendadas pela Direção-Geral de Saúde (DGS)”.

Mesmo antes de esta crise ter aparecido, a EY já estava preparada para um cenário destes de teletrabalho. Foi uma “transição muito positiva” porque “anteriormente (…) já tinham sido instituídas práticas que estimulavam uma rotina de trabalho flexível dentro da organização”. Exemplo disso é o programa “EY@Work”, que “incentiva os colaboradores da organização a trabalharem à distância sempre que necessitem”.

E até aqui o balanço está a ser de tal forma positivo que “todos os indicadores de produtividade que utilizamos como métricas para avaliar a performance da nossa atividade terem demonstrado um desempenho notável por parte das nossas equipas”, diz a mesma fonte. Isso é comprovado pela contratação de 75 colaboradores durante o estado de emergência, “num processo 100% digital e à distância”. Até ao final do ano, a EY quer alcançar as 200 contratações.

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