FMI avisa que países em desenvolvimento “arriscam uma década perdida” por causa da pandemia

  • Lusa
  • 27 Agosto 2020

Segundo o FMI, os países de baixos rendimentos e em desenvolvimento "estão numa posição particularmente difícil para responder" à crise provocada pela pandemia do coronavírus.

Os países de baixos rendimentos e em desenvolvimento “arriscam uma década perdida” na sequência da pandemia de covid-19, de acordo com o artigo do Fundo Monetário Internacional (FMI) hoje divulgado.

O artigo, intitulado “Sem ajuda, os países de baixos rendimentos e em desenvolvimento arriscam uma década perdida”, os economistas do FMI Daniel Gurara, Stafania Fabrizio e Johannes Wiegand avisam que estes países “estão numa posição particularmente difícil para responder” à crise.

Os países “foram duplamente atingidos por fortes choques externos e estão a sofrer severas contrações domésticas devido à proliferação do vírus e às medidas de confinamento para o conter” e, ao mesmo tempo, têm “recursos limitados e fracas instituições” que “limitam a capacidade dos governos para apoiar as suas economias”.

O FMI estima que o crescimento nos países de baixos rendimentos e em desenvolvimento “deverá estagnar este ano, o que compara com um crescimento de 5% em 2019”.

“Além disso, caso haja a ausência de um apoio internacional sustentado para os apoiar, cicatrizes permanentes deverão ferir as perspetivas de desenvolvimento, exacerbar as desigualdades, e ameaçar arruinar uma década de progresso na redução da pobreza”, pode ler-se no artigo hoje divulgado.

Os maiores choques externos apontados pelo FMI no artigo dizem respeito a “uma contração aguda nas exportações reais, menores preços nas exportações, especialmente o petróleo, menos fluxos de recebimento de capital e remessas, e redução das receitas no turismo.

“A maioria dos países de baixos rendimentos e em desenvolvimento não conseguem aguentar medidas rigorosas durante muito tempo, já que grandes segmentos da população vivem perto dos níveis de subsistência”, lembra o FMI.

O artigo aponta que “grandes setores informais, fraca capacidade institucional e registos incompletos dos pobres tornam difícil chegar aos mais necessitados”, a que se adicionam os “limitados recursos orçamentais” dos governos.

O FMI sugere que os países nestas circunstâncias “devem fazer a transição para medidas mais dedicadas, incluindo distanciamento social e rastreio de contactos”, e que as medidas de política “devem focar-se em apoiar os mais vulneráveis, incluindo os mais velhos”.

Os três economistas do FMI consideram ainda que os países de baixos rendimentos e em desenvolvimento necessitam de apoio internacional, sustentado em “fornecimentos de aparelhos de saúde essenciais, incluindo curas e vacinas quando forem descobertas”, na “proteção de cadeias de oferta críticas, especialmente de comida e medicamentos”, em “evitar medidas protecionistas” ou “assegurar que as economias em desenvolvimento podem financiar gastos críticos através de subvenções e financiamento”.

Os países mais desenvolvidos devem ainda “assegurar que as necessidades de liquidez dos países de baixos rendimentos e em desenvolvimento estão garantidas“, devendo também existir “uma reconfiguração e reestruturação da dívida para restaurar a sustentabilidade, quando necessário, o que, em muitos casos, pode significar um alívio da dívida além da iniciativa de suspensão da dívida do G20”, e ainda “manter em vista os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, incluindo a reavaliação das necessidades quando a crise diminuir”.

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