Energia solar em Portugal (quase) não fala português. Estrangeiros dominam

EDP e Galp entraram no leilão de energia solar, mas não avançaram. Aliás, nenhuma empresa portuguesa arrebatou nenhum lote. Entre os vencedores há sul-coreanos, francesas e espanhóis.

A energia solar em Portugal quase não fala português. Se no primeiro leilão de energia solar, realizado há um ano, ainda houve representantes de capital luso, no novo leilão, que teve lugar esta semana, os vencedores foram todos promotores estrangeiros. Feitas as contas aos dois concursos, que distribuíram um total de 1.820 megawatts, apenas 2,3% foram a portugueses.

De 35 concorrentes que entraram no leilão, chegou a haver portugueses no grupo, incluindo grandes empresas como a EDP ou a Galp Energia, mas acabaram por ficar pelo caminho. A petrolífera liderada por Carlos Gomes da Silva confirmou ao ECO ter participado, mas não quis fazer mais comentários. Já a elétrica liderada por Miguel Stilwell d’Andrade explicou que foi a o risco associado à baixa rentabilidade que a afastou.

“A EDP participou no leilão solar promovido esta semana pelo Governo português”, disse a empresa, apontando para o baixo valor alcançado, que chegou mesmo a bater um recorde mundial. “No caso da EDP, a estratégia passa por investimentos com perfil de risco baixo, mas entendemos que outros agentes possam ter expectativas diferentes sobre a evolução dos mercados de eletricidade, licitando de forma mais agressiva“.

Dos 12 lotes (que se dividiram em 13 adjudicações), a Hanwha Q-Cells ganhou seis, enquanto a francesa Tag Energy ficou com dois, os mesmos que a suíça Audax. Já as espanholas Iberdrola, Endesa e Enerland ficaram com um lote cada uma. Estes projetos dizem respeito a 670 MW.

"Este não é um leilão de tarifas, mas é um leilão de um bem muito escasso que é o de pontos de acesso à rede. Um player que já está em Portugal dá menos valor a poder aceder à rede do que um player que já está em Portugal.”

João Pedro Matos Fernandes

Ministro do Ambiente e da Transição Energética

Já no leilão realizado no ano passado, a tendência tinha sido semelhante. Na altura, tratavam-se de 24 lotes, representativos de 1.150 MW, que foram adjudicados a 13 empresas, com destaque para Espanha. A Iberdrola venceu sete lotes, enquanto as conterrâneas Prodigy Orbit, Enerland, Days of Luck e Prosolia ficaram com um total de 13 lotes e meio.

De França, houve dois representantes — a Akuo Renováveis e a Power&Sol Energias Renováveis –, o mesmo número que da Alemanha — Neon e Enerparc Projects. Venceram ainda lotes a norte-americana Everstream Energy Capital e a britânica Aura Power Developments. Para empresas portuguesas, ficaram apenas um lote e meio, equivalentes a 42 MW, adjudicados à Expoentfokus (de Santo Tirso) e à Made Better (de Leiria).

“Provavelmente, o perfil de risco desses mesmos investidores é mais cuidadoso do que daqueles que vêm agora ao mercado”, explicou o ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, sobre a ausência de promotores portugueses entre os vencedores do novo leilão.

“Mas quer dizer sobretudo outra coisa: este não é um leilão de tarifas, mas é um leilão de um bem muito escasso que é o de pontos de acesso à rede. Um player que já está em Portugal dá menos valor a poder aceder à rede do que um player que já está em Portugal“, acrescentou o governante.

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