Investidores da bolsa não foram de férias este ano. E compensou

Bolsas norte-americanas viveram o melhor agosto em 30 anos, enquanto o português PSI-20 subiu no mês das férias pela primeira vez desde 2016. A recuperação das ações continua, mas é desigual.

Fotomontagem: Lídia Leão / ECO

A praia e o calor estão nos pensamentos de muitas pessoas, especialmente após meses de confinamento. Mas para os investidores que perderam dinheiro no sell-off dos mercados vivido no início da pandemia, há outra preocupação. Este ano, as férias foram feitas de olho na recuperação das bolsas e a estratégia compensou.

“O início da pandemia foi dominado essencialmente pelo desconhecimento e incerteza. Não conhecendo o vírus, a sua forma de propagação e consequências para a saúde individual e publica, a grande dúvida foi como nos poderíamos comportar e trabalhar”, explica a diretora da área de investimentos da GNB Gestão de Ativos, Susana Vicente. “A nossa profissão exige que estejamos presentes, o mercado de capitais não parou, e em momentos como estes é quando as pessoas precisam ter a certeza de que se precisarem de mobilizar as suas economias o podem fazer“.

Em março, o coronavírus espalhou-se além da Ásia e atirou as bolsas ao “tapete”. As ações mundiais perderam 11 biliões de euros de capitalização devido à pior queda mensal desde a crise do subprime.

"A nossa profissão exige que estejamos presentes, o mercado de capitais não parou, e em momentos como estes é quando as pessoas precisam ter a certeza de que se precisarem de mobilizar as suas economias o podem fazer.”

Susana Vicente

Diretora da área de investimentos da GNB GA

“Havia a expectativa que o vírus ficasse restrito na China. Não aconteceu e os clientes foram obrigados a negociar mais para diminuir a exposição. A queda do mercado assustou muita gente. Além disso, por uma série de razões, os investidores estão mais atentos. Enquanto as pessoas estiveram confinados, tiveram mais tempo. As apostas desportivas pararam, mas a bolsa não fechou“, sublinha igualmente Steven Santos, head of trading platforms and brokerage do BiG – Banco de Investimento Global.

Ambos admitem que houve algum pânico entre os clientes, enquanto as equipas dos dois bancos tiveram de se fechar em casa devido à pandemia. A tendência foi generalizada com os volumes de negociação a dispararem por todo o mundo. No índice português PSI-20, subiram em março para o valor mais elevado desde 2016. E continuam acima do que é costume com a tentativa de recuperação das perdas geradas.

Fonte: Reuters

“A estratégia inicial passou por uma geração de liquidez que permitisse, por um lado, proteger as carteiras da forte volatilidade e, por outro lado, fazer face a algum aumento de resgates que pudesse acontecer, em especial nas carteiras de maior risco, como as carteiras puras de ações”, refere a gestora. “Em termos de estratégia de gestão, houve um reconhecimento de que nesta crise ‘não somos todos iguais’, quer setorialmente quer empresas individuais“.

Assim, os fluxos de capital moveram-se para áreas de negócio mais bem preparadas para uma nova realidade, como o e-commerce e a interação virtual, em detrimento de outros setores mais prejudicados pela pandemia, como o turismo e o lazer. Após o pânico inicial, a recuperação nas bolsas tem sido constante, mas desigual e é a tecnologia a grande vencedora.

Em Wall Street, o Nasdaq e o S&P 500 já estão positivos no acumulado do ano, mas o Dow Jones continua na linha de água. Sobem há cinco meses seguidos e viveram o melhor agosto em mais de 30 anos. Já na Europa, os índices ainda estão abaixo da linha de água, mas a caminho de terreno positivo. O português PSI-20 ainda perde 17%, mas registou, no mês passado, o primeiro agosto positivo desde 2013.

"Quem achava que o mercado estava demasiado caro, viu agora uma oportunidade de entrar. Além disso, há a consciencialização que nada paga retornos portanto para ter rendimento tem de haver maior exposição ao risco.”

Steven Santos

Head of trading platforms and brokerage do BiG

No GNB GA, a estratégia de aposta nos setores vencedores da pandemia permitiu “participar na recuperação dos mercados, quer de ações quer de obrigações, estando a generalidade das carteiras perto, ou já acima, dos máximos do ano, verificados em fevereiro, antes da chegada da pandemia ao continente europeu”, aponta Susana Vicente.

Não há, para já, razões para que o rally chegue ao fim até porque este tem tido um forte impulso do dinheiro barato dos bancos centrais. “Quem achava que o mercado estava demasiado caro, viu agora uma oportunidade de entrar. Além disso, há a consciencialização que nada paga retornos portanto para ter rendimento tem de haver maior exposição ao risco“, acrescenta Steven Santos, que acredita numa continuação das valorizações até, pelo menos, às eleições nos EUA.

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