Deloitte não viu conflito de interesses na realização da auditoria ao Novo Banco

A consultora diz ter "concluído que não foi identificada nenhuma situação que impedisse ou aconselhasse a não aceitação do trabalho" realizada no âmbito da auditoria especial às contas do Novo Banco.

A Deloitte analisou e não identificou a existência de conflitos de interesse que impedissem a realização da auditoria especial às contas do ex-BES e atual Novo Banco. A consultora assume-o no relatório em que analisa as contas do banco no período entre 2000 e 2018 que foi divulgado pela Assembleia da República, esta terça-feira, e que foi criticado pelo facto de este omitir que a Deloitte Espanha assessorou o Novo Banco na venda da GNB Vida.

Em causa está um negócio de alienação da GNB Vida que o Novo Banco concluiu em 2019 e que gerou perdas de 250 milhões de euros, após ter desencadeado a sua venda em 2017. No processo, o banco foi assessorado pela Deloitte Espanha, auditora que faz parte do mesmo grupo mundial que a Deloitte & Associados, responsável pela auditoria especial hoje tornada pública.

“Conforme acima referido, o presente trabalho não constitui uma auditoria às demonstrações financeiras do Novo Banco realizada de acordo com as normas internacionais de auditoria, uma revisão limitada ou qualquer outro serviço relacionado realizado ao abrigo de uma norma internacional de auditoria, não se aplicando por isso à aceitação do mesmo as regras de independência aplicáveis a trabalhos que tivessem seguido essas normas”, começa por dizer a Deloitte na explicação da metodologia utilizada para a realização da auditoria.

Ainda assim diz que “previamente à aceitação deste trabalho foi efetuada uma análise de potenciais conflitos de interesse” de acordo com os procedimentos internos de aceitação de trabalhos por si implementados, “que pudessem de alguma forma afetar ou condicionar a objetividade da Deloitte e dos seus colaboradores na sua realização“, esclarece ainda a consultora.

E, neste âmbito, recorda que no passado realizou projetos de consultoria de diferente natureza para o BES, para o Novo Banco ou empresas dos seus grupos, “incluindo nomeadamente projetos diretamente relacionados com a medida de resolução do BES, avaliações pontuais de ativos, incluindo ativos abrangidos pelo âmbito do presente trabalho, e mandatos de venda de ativos, incluindo ativos abrangidos pelo âmbito do presente trabalho (nomeadamente a GNB Vida – Companhia de Seguros)”.

Da avaliação efetuada, a Deloitte diz ter “concluído que não foi identificada nenhuma situação que impedisse ou aconselhasse a não aceitação do trabalho”.

O relatório segue em linha com aquilo que a Deloitte já assumido relativamente à existência de um possível conflito de interesses. Depois das dúvidas lançada pelo Bloco de Esquerda no final da semana passada em relação à “credibilidade” do relatório da auditoria ao Novo Banco, a Deloitte defendeu que a mesma “envolveu os profissionais mais qualificados e experientes, seguindo naturalmente os critérios de independência e ética mais elevados”.

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