Deloitte defende “qualidade” da auditoria ao Novo Banco

Depois das dúvidas lançadas pelo Bloco de Esquerda sobre a "credibilidade" da auditoria, a Deloitte defende-se e diz que todas as partes estavam a par dos trabalhos realizados para o Novo Banco.

Depois das dúvidas lançada pelo Bloco de Esquerda em relação à “credibilidade” do relatório da auditoria ao Novo Banco, a Deloitte defende que a mesma “envolveu os profissionais mais qualificados e experientes, seguindo naturalmente os critérios de independência e ética mais elevados”.

A auditora adianta ainda que todas as partes interessadas “foram informadas sobre a existência de trabalhos desenvolvidos no passado para o BES e Novo Banco”, depois de se saber que a Deloitte Espanha foi o assessor financeiro do banco na venda da GNB Vida, facto que levantou polémica por causa de eventuais conflitos de interesse.

“A Deloitte responde pela qualidade dos seus trabalhos e dos seus relatórios e, em particular, nesta auditoria especial, face à natureza relevante para o país e partes interessadas”, responde agora a consultora.

"A Deloitte responde pela qualidade dos seus trabalhos e dos seus relatórios e, em particular, nesta auditoria especial, face à natureza relevante para o país e partes interessadas.”

Deloitte

Comunicado

Esta sexta-feira, o Bloco de Esquerda questionou a credibilidade da auditoria da Deloitte ao Novo Banco, depois de notícia de que a consultora também atuou como assessor financeiro do banco na venda da seguradora GNB Vida a um fundo com ligações a investidor condenado por corrupção. “O facto de a Deloitte não referir na sua auditoria que assessorou o Novo Banco na venda da GNB Vida coloca em causa a auditoria. Colocam-se estas perguntas: como pode um consultor de uma venda auditar de forma independente essa venda? Não pode. Que credibilidade tem a auditoria? Não tem”, sublinhou a deputada bloquista Mariana Mortágua.

O Jornal Económico (acesso pago) avança esta sexta-feira que a Deloitte, contratada para realizar a auditoria especial aos atos de gestão no BES e Novo Banco, entre 2000 e 2018, também foi assessor financeiro do banco na venda a seguradora a fundos geridos pela Apax, por 123 milhões de euros. Como refere o ECO esta sexta-feira, o banco emprestou 60 milhões de euros à Apax nesta transação gerou uma perda de 250 milhões.

Em relação aos trabalhos de assessoria financeira, e não se referindo especificamente ao negócio da GNB Vida, a Deloitte frisa que presta estes serviços “com o objetivo de maximizar a competitividade do processo e, consequentemente, o resultado para o vendedor, e garantir a todos os concorrentes ao processo de venda, acesso à informação disponível em condições de equidade”.

“Em circunstância alguma a Deloitte participou no processo de decisão, nem o poderia ter feito por regras legais e deontológicas”, remata a consultora.

Esclarece ainda que previamente à realização de qualquer trabalho, faz uma análise para a sua aceitação, “não tendo sido identificada qualquer situação que impedisse ou aconselhasse a não realização do trabalho”.

(Notícia atualizada às 17h46)

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