Novo Banco emprestou 60 milhões aos compradores da seguradora GNB Vida

Banco adianta que a operação de venda incluiu um "vendor loan" correspondente a 50% do preço final que a Apax pagou pela seguradora, cerca de 120 milhões de euros.

O Novo Banco emprestou cerca de 60 milhões de euros ao investidor que comprou a seguradora GNB Vida, por 123 milhões de euros, numa operação que gerou perdas de 250 milhões de euros para a instituição liderada por António Ramalho.

É o próprio banco que adianta, numa apresentação que foi distribuída esta quarta-feira pelos jornalistas, que a operação de venda da seguradora à GBIG Portugal, uma sociedade totalmente detida por fundos geridos pela Apax, “incluiu a concessão de um vendor loan correspondente a 50% do preço, à taxa de juro adequada às condições do mercado”.

Sublinha logo a seguir que a “transação foi realizada num processo organizado de venda, competitivo e transparente, seguido em permanência pelo Fundo de Resolução e pelo compliance do Novo Banco”.

Este vendor loan é um empréstimo que o banco faz ao comprador de determinado ativo ou conjunto de ativos. Embora seja um procedimento normal emprestar dinheiro ao investidor que lhe adquire um ativo, os bancos portugueses já referiram que não têm por hábito fazê-lo por cá. Por exemplo, Miguel Maya, presidente do BCP, esclareceu que: “A venda da carteiras de ativos o BCP não financiou. Mas numa situação específica, desde que bem protegido por capitais próprios adequados, de um cliente de relação, podíamos ter feito”.

A exceção parece ser o Novo Banco, que também tinha dado crédito ao fundo Anchorage para financiar a aquisição de uma carteira de imóveis designada Viriato, e que veio a ser uma das operações que suscitou polémica em torno banco, por vários motivos: não há certezas sobre quem serão os beneficiários finais de uma transação que gerou uma perda de 160 milhões.

No caso da GNB Vida, a alienação também gerou dúvidas. Segundo o Público, a venda da GNB Vida, agora designada GamaLife, à GBIG Portugal deu origem a uma queixa, apresentada a 13 de janeiro deste ano, junto da ESMA, Autoridade Europeia de Mercados e Títulos, e subscrita por quem tem envolvimento e interesse direto no Novo Banco.

A venda da seguradora ficou fechada em outubro de 2019, depois de contactados 65 investidores num processo que resultou, no final, em quatro propostas vinculativas. O valor final foi de 123 milhões de euros acrescido de uma componente variável até 125 milhões de euros, indexada a objetivos de distribuição de seguros vida em Portugal por um período de 20 anos.

Em conferência com os jornalistas, António Ramalho lembrou que a alienação da seguradora tinha de ser concluída até final de 2019, sob pena de o banco ser penalizado. “A venda foi feita ao investidor que de longe ofereceu as melhores condições”, destacou o presidente do banco.

O banco explica que a deterioração do valor da companhia seguradora é, em grande parte, atribuível a fatores independentes do processo de venda. “Não tivesse ocorrido a venda, a que o banco estava obrigado, teriam de ser reconhecidas elevadas imparidades ao valor da participação no capital” da GNB Vida, diz o Novo Banco.

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