Costa Silva deixa cair bitola europeia porque implica “investimento colossal”

Costa Silva avisou esta terça-feira que a mudança da bitola ibérica para a europeia implicaria um "investimento colossal". A alternativa é usar novas tecnologias para adaptar o que existe.

António Costa Silva deixou cair a ideia de Portugal adotar a bitola europeia para quebrar o isolamento ferroviário do país face ao resto da Europa. Em causa está o “investimento colossal” que esta mudança iria representar, explica, referindo que recebeu propostas sobre esse tema nos vários contributos que lhe foram enviados no âmbito da consulta pública da Visão Estratégica do Plano de Recuperação 2020-2030, cujos resultados foram apresentados na Fundação Calouste Gulbenkian esta terça-feira.

Costa Silva defendeu, em entrevista à TSF, em junho que Portugal devia adotar a bitola europeia, optando pelo fim da bitola ibérica. Contudo, o tema acabou por não ficar na versão final da Visão Estratégica do Plano de Recuperação 2020-2030 divulgada em julho porque o conselheiro do primeiro-ministro mudou de ideias.

Em julho, em entrevista à Rádio Renascença, admitiu que tinha mudado de opinião nesta matéria. Afinal, a bitola ibérica não era um grande obstáculo ao desenvolvimento do país, já que podia ser contornado com a tecnologia. “Da investigação que fiz e da discussão com especialistas que acompanham o desenvolvimento deste setor, o que me foi transmitido é que existem soluções tecnológicas para lidar com esse problema, avançou-se muito a esse nível e, portanto, não é um grande obstáculo em termos de futuro”, sublinhou o gestor, na altura.

Esta terça-feira, à luz dos contributos que recebeu, o conselheiro do primeiro-ministro reiterou essa opção, deixando um alerta: “Se adotarmos agora a bitola europeia é um investimento colossal“, acrescentando que o valor é “quase inquantificável”.

No documento divulgado esta terça-feira, o autor da Visão Estratégica reflete sobre essa proposta, rejeitando-a no final. “A questão da bitola adotada é alvo de grande debate“, refere, explicando as duas visões: uma visão em que a solução passa pelas soluções tecnológicas novas e outra visão que considera que isso é “parcialmente verdade” para o transporte de passageiros, mas não o é para o transporte de mercadorias.

Perante as duas fações sobre a bitola da ferrovia, Costa Silva inclina-se para a solução tecnológica. “Fazer a troca de bitola implica um investimento que, pela sua dimensão, é difícil de quantificar e poderá tornar redundante o atual material circulante”, argumenta, assinalando que a “proposta de trocar a bitola apenas para as linhas internacionais implicaria a criação de mais uma descontinuidade, o que se pretende evitar”.

E deu o exemplo de Espanha que está a trocar de bitola nas ligações de Barcelona a França. Além disso, “construiu uma linha de alta velocidade para passageiros, que funciona em circuito fechado e onde a escolha da bitola é irrelevante”. “Todas as ligações entre Espanha e Portugal são em bitola ibérica, o que favorece a aposta no crescimento do hinterland ibérico com base na ferrovia”, acrescenta, garantindo que “todos os investimentos, em curso e em projeto, permitem, no futuro, a sua adaptação à bitola europeia”.

A própria Comissão Europeia tem rejeitado a necessidade de uma mudança estrutural da bitola ibérica para a europeia, segundo o Público. Numa resposta ao grupo que defende a troca da bitola, a comissária europeia dos Transportes e Mobilidade, Aldina Valean, escreve que a “bitola europeia não é necessária em todos os lugares” e que “uma mudança total de bitola na Península Ibérica não é necessária e exigiria investimentos maciços, também ao nível dos numerosos portos, cujo acesso à rede nacional é em bitola ibérica”. A Comissão diz que o mais importante é a eletrificação, a capacidade das linhas para comboios com 740 metros e a eliminação de barreiras administrativas.

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