Novo Banco vai fechar mais 20 balcões até ao fim do ano

Desde 2016, antes de ser vendido, o Novo Banco já reduziu em cerca de um terço a sua rede de balcões. Mais de 100 trabalhadores deixaram a instituição nos últimos meses.

O Novo Banco prepara-se para fechar 20 balcões até final do ano, uma boa parte deles nos centros urbanos, apurou o ECO. António Ramalho explicou esta semana que está a analisar com “cautela” para um ajustamento da rede comercial que se deve às mudanças nos hábitos dos clientes. “São transformações em que estamos a trabalhar para um banco novo”, afirmou o CEO da instituição.

Com esta redução adicional de balcões, o banco terminará o ano de 2020 com cerca de 355 agências em todo o país, o que corresponde a um corte total de cerca de 275 balcões (mais de 40%) desde que foi criado em agosto de 2014, no seio da resolução do BES.

O presidente do Novo Banco foi confrontado na terça-feira, na audição parlamentar, com o novo plano de encerramento de agências que estaria para anunciar brevemente. “Ao que parece está para anunciar o encerramento de balcões a 31 de outubro. É mais um conjunto de balcões que serão encerrados“, questionou o deputado do PCP Duarte Alves.

A resposta de António Ramalho ao deputado comunista, que se tinha insurgido contra o facto de o banco estar a “usar dinheiro dos contribuintes portugueses para limpar o banco”, veio poucos minutos depois.

“A verdade é que o mercado está a mudar, as necessidades dos consumidores estão a mudar e é normal que aquilo que é a tradicional distribuição de balcões venha a mudar sobretudo nos centros urbanos. Não tenhamos dúvidas. Estamos a analisar com cautela as transformações em que estamos a trabalhar para um banco novo. É esse banco novo que queremos desenvolver”, ripostou o presidente do Novo Banco. Embora não tenha avançado números, das duas dezenas de encerramentos em cima da mesa, cinco ou seis serão em Lisboa, apurou o ECO. O banco não respondeu até à publicação do artigo.

Evolução do número de balcões e encerramentos entre 2014 e 2020

Fonte: Novo Banco (Dados 2020 com base nos novos encerramentos)

O Novo Banco tem vindo a reduzir de dimensão por força das dificuldades que atravessou nos últimos e subsequente plano de reestruturação que termina no próximo ano.

Além do encerramento de balcões em cima da mesa, o banco perdeu nos últimos meses mais de uma centena de trabalhadores nos últimos meses. A comissão de trabalhadores informou que em julho iam sair 115 funcionários, a maioria por reformas antecipadas e cerca de 20 através de rescisões por mútuo acordo.

"A verdade é que o mercado está a mudar, as necessidades dos consumidores estão a mudar e é normal que aquilo que é a tradicional distribuição de balcões venha a mudar sobretudo nos centros urbanos. Não tenhamos dúvidas. Estamos a analisar com cautela as transformações em que estamos a trabalhar para um banco novo. É esse banco novo que queremos desenvolver.”

António Ramalho

Presidente do Novo Banco

Contas feitas, ao nível de postos de trabalho, a redução da dimensão do Novo Banco é da ordem dos 35% desde dezembro de 2014. Se estão mais de saída? “Vamos gerir a questão dos trabalhadores da melhor forma possível”, afirmou António Ramalho no Parlamento, que voltou a lembrar que poderá ter de despedir 1.500 colaboradores caso não cumpra os objetivos fixados por Bruxelas.

Além da própria situação delicada em que se encontra, o Novo Banco enfrenta desafios que se apresentam a todo o setor, decorrentes da pandemia de Covid-19, que veio deteriorar significativamente as condições de mercado e a colocar à prova a resiliência dos próprios bancos.

Neste cenário, à procura de reduzir os custos, outros bancos também preparam ajustamentos nos seus quadros. Santander Totta e Caixa Geral de Depósitos (CGD) têm vindo a reduzir o número de trabalhadores e de agências nos últimos anos. O BCP também afirmou que vai cortar pessoal no ano que vem. No Banco Montepio, numa situação diferente, também se preparam saídas.

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