Acionista chinês da EDP entra na lista negra dos EUA

A China Three Gorges (CTG) tem mais de 20% da EDP e passou a integrar, desde 28 de agosto, a lista negra do governo americano.

A China Three Gorges (CTG) é o maior acionista da EDP com 21,55% do capital e está, desde o dia 28 de agosto, na chamada “lista negra” do governo americano. Esta lista, publicada e atualizada de forma regular pelo Ministério da Defesa americano, inclui dezenas de empresas que são consideradas “companhias militares comunistas chinesas”. O mercado americano, recorde-se, é o mais importante para a EDP, através da EDP Renováveis.

A elaboração de listas de empresas chinesas que operam direta ou indiretamente nos EUA não é de hoje, decorre do “National Defense Authorization Act for Fiscal Year 1999”, mas só recentemente, e em resposta a um senador americano, o governo divulgou em junho uma primeira lista, na qual ressaltava a Huawei, além de empresas de setores diversos como as tecnologias, construção, aeroespacial, energia e nuclear. No dia 28 de agosto, a lista foi atualizada e, desta vez, incluída a CTG como empresa considerada uma companhia com interesses militares.

Para que serve esta “lista negra”? É especialmente elaborada para ser tida em conta nos contratos públicos do Estado americano. Se uma empresa constar da lista, poderá ser impedida de vender bens ou serviços ao governo americano, porque passa a ser considerada um “supply chain risk’, isto é, um risco na cadeia logística por razões de segurança de Estado, e as áreas de tecnologia e de energia estão entre as mais escrutinadas.

A inclusão da CTG nesta lista não significa a existência imediata de sanções por parte do Governo americano, menos ainda a empresas participadas, como a EDP, mas acaba por ser desde logo um carimbo de risco para parceiros privados que tenham ou venham a ter negócios com o Estado ou dele estejam dependentes.

Oficialmente, ninguém faz comentários, mas a gestão da elétrica não espera consequências desta decisão do Ministério da Defesa americano em relação à CTG. De resto, a EDP Renováveis já fechou pelo menos uma grande transação depois de publicada essa lista, um acordo para a venda de 80% de uma carteira de parques eólicos e solares nos EUA por 570 milhões de euros.

De qualquer forma, recorde-se que o mercado americano é o mais importante para a EDP Renováveis, a empresa que é controlada em mais de 80% pela própria EDP. E ainda antes da pandemia, foram vários os avisos de governantes americanos que estiveram em Lisboa. Mas também houve resposta da EDP, à data por António Mexia. Depois do secretário norte-americano da Energia, Dan Brouillette, ter dito que a Administração do Presidente Donald Trump está preocupada e vai analisar o investimento chinês na EDP pela China Three Gorges, António Mexia respondeu, na apresentação dos resultados de 2019, que não só os Estados Unidos são um mercado importante para a empresa, mas “a EDP também é um player importante nos EUA” e “importante para as renováveis” do outro lado do Atlântico.

Quais são as empresas a entrarem na “lista negra” no dia 28 de agosto?

  • China Communications Construction Company (CCCC)
  • China Academy of Launch Vehicle Technology (CALT)
  • China Spacesat China United Network Communications Group Co Ltd
  • China Electronics Corporation (CEC)
  • China National Chemical Engineering Group Co., Ltd. (CNCEC)
  • China National Chemical Corporation (ChemChina)
  • Sinochem Group Co Ltd China State Construction Group Co., Ltd.
  • China Three Gorges Corporation Limited
  • China Nuclear Engineering & Construction Corporation (CNECC)

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