Facebook teme sair da Europa com exigências de regulador irlandês

  • ECO
  • 21 Setembro 2020

O regulador da proteção de dados da Irlanda quer que o Facebook deixe de partilhar dados de europeus com os EUA. Por sua vez, a empresa argumenta que, se assim for, pode ter de sair deste mercado.

O Facebook não vê como poderia continuar a fornecer os seus serviços na Europa se for forçado a deixar de partilhar dados de cidadãos europeus com os EUA.

O receio de saída do Velho Continente, transmitido pela própria empresa ao Supremo Tribunal de Irlanda, está a ser noticiado pela imprensa internacional com base em documentos judiciais do Business Post, citados pela espanhola ABC. A notícia chegou a ser avançada como uma ameaça da parte da rede social, mas foi entretanto atualizada pela cadeia espanhola, algo também confirmado ao ECO por fonte oficial do Facebook.

Em causa está uma proposta da Comissão de Proteção de Dados irlandesa, que coordena as demais comissões de proteção de dados na União Europeia do RGPD (Regulamento Geral de Proteção de Dados). Há uma investigação em curso ao grupo Facebook, que também controla Messenger, WhatsApp e Instagram, e o regulador irlandês pretende estabelecer que os dados pessoais de cidadãos europeus não saem do continente.

Perante a exigência, a empresa fundada por Mark Zuckerberg argumenta que a partilha de dados pessoais com o país de origem é essencial ao funcionamento dos seus serviços, pelo que, se essa situação mudasse, poderia ter de abandonar o mercado europeu.

Ainda assim, não é certo até que ponto é que o Facebook pode cumprir esse desígnio e não há qualquer informação de que a empresa se esteja a preparar para o fazer. Segundo dados do segundo semestre de 2020, 305 milhões de pessoas usam diariamente os serviços da empresa na Europa. Entre abril e junho, a empresa gerou 4,5 mil milhões de dólares na região.

(Notícia atualizada a 22 de setembro, 13h43, com clarificação)

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