Medo da segunda vaga atira bolsa de Lisboa para mínimos de quatro meses. Perde 2 mil milhões de euros num só dia

Desde 15 de maio que o PSI-20 não valia tão pouco. O índice desvalorizou 2,17% numa sessão marcada pelos receios dos investidores globais em relação a novas medidas de confinamento.

Os casos de coronavírus voltam a agravar e os investidores receiam o impacto que a segunda vaga vai ter na economia. O arranque da semana foi negativo para as principais praças mundiais e Lisboa não foi exceção. A bolsa portuguesa desvalorizou mais de 2% para o valor mais baixo em quatro meses, o que representa uma perda para as cotadas de mais de dois mil milhões de euros.

“Há um claro nervosismo sobre as possibilidades de um segundo confinamento”, diz Jane Shoemake, diretora de investimentos na Janus Herderson, à Reuters. Tal como Portugal, Espanha, Grécia e Dinamarca já recuaram na estratégia e impuseram novas restrições, enquanto o Reino Unido está a considerar fazê-lo.

As ações europeias afundaram, com o Stoxx 600 a perder 3,5%. O setor de lazer e turismo está entre os mais penalizados, a recuar 5,4%. O alemão DAX perdeu 4,6% na maior queda diária desde março, após o ministro da Saúde do país ter alertado que a tendência de casos de coronavírus na Europa é “preocupante”. O francês CAC 40 recuou 3,9%, o espanhol IBEX 35 tombou 3,6% e o britânico FTSE 100 desvalorizou 3,5%.

BCP acompanha perdas da banca europeia

Em Lisboa, o PSI-20 desvalizou 2,22% para 4.158,14 pontos e fechou com quase todas as cotadas no vermelho: as exceções foram a Ibersol e a Sonae Capital que ficaram inalteradas. As cotadas mais penalizadas foram as exportadores. A Altri tombou 5,9% para 3,99 euros, a Mota-Engil cedeu 5,7% para 1,198 euros e a Navigator perdeu 3,5% para 2,23 euros.

Na energia, a Galp Energia perdeu 3,21% para 8,432 euros, a EDP Renováveis recuou 1,95% e a EDP caiu 1,04%. Também pesaram no índice as perdas da Jerónimo Martins (-2,4%), Nos (-1,09%) e Sonae (-3,2%).

Além da segunda vaga, houve outro fator a pesar no sentimento dos investidores, mas em relação à banca. Uma análise do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) revelou documentos confidenciais enviados por bancos dos EUA à agência federal FinCEN que mostram como grandes bancos facilitaram o branqueamento de capitais.

Os britânicos HSBC e Standard Chartered Bank, o alemão Deutsche Bank e os norte-americanos JP Morgan e Bank of New Yor Mellon estão no centro do furacão. Todos eles afundam em bolsa, arrastando o Stoxx Banks para uma perda de 5,7%. Apesar de não estar envolvido no caso, o português BCP foi penalizado pela tendência dos pares e tombou 4,08% para 0,087 euros, ficando muito próximo do mínimo histórico de 0,0846 tocado a 14 de maio.

Desempenho do BCP no PSI-20

Investidores procuram refúgio na dívida

O sell-off nas ações levou os investidores a procurarem refúgio nas ações e no dólar. A yield das Bunds alemãs a 10 anos caiu para mínimos de seis semanas, para -0,534%. Também o juro da dívida portuguesa seguiu a mesma trajetória, a ceder 13 pontos base para 0,295%.

Apesar das variações que espelham a pressão vendedora nas ações, as movimentos nas yields das dívidas europeias têm sido relativamente contidas graças aos fortes estímulos do Banco Central Europeu. Ainda esta segunda-feira o Financial Times noticiou que a instituição liderada por Christine Lagarde está a avaliar o impacto do programa de emergência pandémica.

A avaliação vai focar-se na duração e também na flexibilidade, podendo passar ser igual noutros programas do BCE. “Consideramos supreendemente cedo, mas pelo menos solidifica a nossa opinião de que o BCE vai agir em dezembro”, considerou, em declarações à Reuters, Gilles Moec, economista-chefe do AXA Group.

(Notícia atualizada às 17h10)

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