5,4 milhões de europeus passaram de empregados a inativos

Os fluxos do mercado laboral registados no segundo trimestre ficaram marcados por vários recordes. O número de empregados europeus a passar à inatividade nunca foi tão alto.

A pandemia de coronavírus provocou uma série de recordes no mercado laboral europeu, no segundo trimestre. De acordo com os dados divulgados pelo Eurostat, não só o número de empregados que passaram a inativos atingiu um marco histórico, como também o número de desempregados que conseguiram encontrar uma nova posição foi o mais baixo da última década.

Entre abril e junho, 1,9 milhões de desempregados europeus conseguiram encontrar trabalho. É preciso recuar ao início da série estatística, em 2010, para encontrar um valor tão baixo. Durante este período, 6,1 milhões de europeus permaneceram, assim, no desemprego e 4,4 milhões passaram de desempregados a inativos.

Já no que diz respeito aos europeus que tinham emprego no início do ano, 3,1 milhões perderam o desemprego, entre abril e junho, e 5,4 milhões passaram diretamente do emprego à inatividade. Em ambos os casos estão em causa máximos históricos.

E entre os inativos, 2,8 milhões conseguiram encontrar emprego, no segundo trimestre do ano; Já 3,3 milhões destes passaram a ser considerados desempregados.

Mas o que significa ser inativo? Em causa estão europeus que pretendem trabalhar, mas não fizeram as diligências ativas para procurar trabalho ou, por outro lado, europeus que até fizeram essa procura, mas não estavam disponíveis para começar a trabalhar nas duas semanas seguintes. Isto segundo define o português Instituto Nacional de Estatística (INE).

A pandemia de coronavírus fez tremer o mercado laboral e levou os vários Estados europeus a adotarem medidas extraordinárias no sentido de proteger os postos de trabalho e evitar uma escalada do desemprego. Em Portugal, o principal instrumento foi — pelo menos, nos primeiros meses –, o lay-off simplificado, um regime que permitiu suspender os contratos de trabalho ou reduzir os horários de trabalho, prevendo cortes salariais temporários e um apoio ao empregador para o pagamento dessas remunerações.

Esta ferramenta está agora vedada a uma grande parte dos empregadores, que podem, em alternativa, aderir ao apoio à retoma progressiva ou ao incentivo à normalização da atividade. Mais de 40 mil já o fizeram.

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