Fórum para a Competitividade sugere antecipação do subsídio de Natal nas empresas que possam

O Fórum para a Competitividade sugere que as empresas que possam e o Estado devem antecipar o pagamento do subsídio de Natal para estimular o consumo no quarto trimestre.

O Fórum para a Competitividade desafia as empresas que possam e o Estado a antecipar o pagamento do subsídio de Natal aos trabalhadores para estimular o consumo, acompanhado de campanhas para compras natalícias antecipadas.

Para minorar os riscos para o 4º trimestre sugerimos: que o Estado dê o exemplo e se antecipe no pagamento do subsídio de Natal e que as empresas que o possam fazer que o façam; que se façam campanhas para compras natalícias antecipadas“, sugere o Fórum na nota de conjuntura relativa a outubro divulgada esta segunda-feira.

No caso do Estado, o subsídio de Natal tem de ser pago em novembro. Contudo, como os salários na função pública são pagos normalmente entre 20 e 23 de cada mês, a sugestão para que os funcionários públicos recebam mais cedo este subsídio já não deverá ir a tempo.

No setor privado, o subsídio de Natal também é pago normalmente em novembro, mas a lei permite que este seja pago até 15 de dezembro. No entanto, isto não se aplicaria a quem recebe os subsídios através de duodécimos. Ainda assim, as empresas que possam fazê-lo poderão ter margem para antecipar o pagamento do subsídio de Natal para a primeira quinzena de novembro.

“Neste momento, as compras natalícias parecem estar duplamente ameaçadas, quer porque poderá haver restrições aos encontros de família nesta quadra, quer porque muitos consumidores poderão evitar espaços comerciais com muito público”, alerta o Fórum, assinalando que “isto é especialmente grave porque há muitas lojas cujas vendas anuais estão muito dependentes dos resultados obtidos nesta época“.

Assim, além da sugestão do pagamento antecipado do subsídio de Natal, o Fórum sugere que “se façam campanhas para compras antecipadas, com horários alargados, para evitar riscos de contágio e dar confiança aos consumidores“.

Previsão para o PIB de 2020 melhora

Até ao momento, o Fórum para a Competitividade era uma das instituições mais pessimistas ao prever uma recessão entre 9% a 12% em 2020. Contudo, os dados provisórios para o PIB do terceiro trimestre na Zona Euro e em Portugal mudaram as contas.

Para o ano de 2020, face aos novos valores do PIB, revimos em alta a nossa previsão, para uma queda entre 7% e 9%, com a possibilidade de queda trimestral durante o 4º trimestre“, lê-se na nota de conjuntura, o que engloba a queda de 8,5% prevista pelo Ministério das Finanças no Orçamento do Estado para 2021 (OE 2021).

No terceiro trimestre, o PIB português recuperou 13,2% face ao segundo trimestre, mantendo uma queda homóloga (face ao terceiro trimestre de 2019) de 5,8%. Ou seja, o terceiro trimestre revelou-se melhor do que o esperado pelo Fórum: houve uma “forte recuperação, muito superior ao esperado”. “Este crescimento terá sido ‘inflacionado’ pelo fraco crescimento das importações, que deverá ser corrigido nos próximos trimestres“, explica.

Contudo, o quarto trimestre poderá ser pior por causa da reintrodução de restrições por causa da pandemia. O confinamento parcial, anunciado para início de novembro, deverá constituir um travão à atividade, por um período que ainda não é possível determinar“, admite. Mais: os dados preliminares de outubro “não são muito favoráveis” e a entrada de vários países europeus, incluindo Portugal, num confinamento parcial dá ainda menos confiança.

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