Lucros da Nos caem 42,7% até setembro, mas negócio recupera no trimestre

A operadora Nos viu os lucros caírem 42,7% nos nove meses até setembro, para 79,1 milhões de euros. Desempenho no terceiro trimestre "sinaliza recuperação".

A operadora Nos lucrou 79,1 milhões de euros entre janeiro e setembro. É uma queda de 42,7% face aos mesmos nove meses de 2019, informou a empresa numa nota enviada à CMVM. O grupo destaca a recuperação do negócio no terceiro trimestre, com um impacto “significativamente menor” da pandemia, em que os lucros caíram 7,9% face ao trimestre homólogo, para 44,1 milhões de euros, melhor do que as estimativas dos analistas.

“O terceiro trimestre deste ano marca o início da recuperação da Nos após um período intensamente marcado pela pandemia. Essa recuperação fez-se sentir num nível intenso de captação de mais clientes e serviços, bem como numa melhoria relativa das receitas, ainda em quebra de 1,4%, mas longe da quebra de 7,8% verificada no trimestre anterior”, justifica o presidente executivo da empresa, Miguel Almeida, num comunicado de imprensa.

Entre janeiro e setembro, o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) consolidado da Nos fixou-se em 471,2 milhões de euros, um recuo homólogo de 6,5%. As receitas consolidadas totalizaram 1.013,6 milhões de euros, uma queda de 7,2%, com enfoque para a quebra de 3,8% nas receitas de telecomunicações da Nos.

Concretamente, as receitas de consumo caíram 3,8%, para 995,5 milhões de euros, enquanto as receitas empresariais recuaram 1,2%, para 728,7 milhões de euros. As receitas do mercado grossista caíram 1,3%, para 56,5 milhões.

“Crescemos em todos os serviços, com o regresso a um nível mais normalizado de atividade comercial após o confinamento”, destaca a operadora. Foram 125 mil adições líquidas de unidades geradoras de receita (RGUs) no terceiro trimestre, “o que compara com os 76 mil no terceiro trimestre de 2019 e com 53 mil no trimestre anterior”, aponta a empresa.

“As adições líquidas foram positivas em todos os segmentos, com as adições líquidas de TV por subscrição a cifrarem-se em 9,6 mil, adições líquidas totais de 102 mil serviços móveis e 11,7 mil adições líquidas de banda larga fixa”, lê-se no relatório.

A Nos tem agora 4,796 milhões de casas passadas, das quais 37,8% em tecnologia fibra. Conta com quase 9,9 milhões de RGUs, dos quais perto de 1,7 em TV por subscrição (+1,5%) e 4,97 milhões em subscrições móveis (+3,4%). Tem ainda 967,6 mil clientes convergentes e integrados (+5,8%).

Já o segmento de business to business (B2B) da Nos “está a registar um desempenho operacional saudável”, mas não é “imune” ao impacto da pandemia nos negócios dos clientes. “As fontes de pressão sobre as receitas no B2B têm sido o decréscimo material das receitas de roaming, para além da extensão de formas de pagamento mais flexíveis, seja sob a forma de prazos de pagamento mais alargados ou de descontos temporários”.

Covid-19 continua a pressionar cinema

Apesar da melhoria do negócio da Nos no terceiro trimestre, tal não e verificou no segmento de media e entretenimento.

“Embora os nossos cinemas tenham reaberto no dia 2 de julho, após o confinamento, sob estritas medidas sanitárias e de segurança, o número de espetadores não recuperou de forma significativa, devido ao adiamento sucessivo e indefinido do lançamento de êxitos de bilheteira por parte dos grandes estúdios internacionais”, confessa a empresa.

O número de bilhetes vendidos entre janeiro e setembro fixou-se em cerca de dois milhões, uma queda de 70,8% face ao mesmo período de 2019. No total, o mercado afundou 71,6% em bilhetes vendidos, segundo dados do Instituto do Cinema e do Audiovisual, citados pela Nos. As receitas por espetador continuam estáveis em 5,3 euros.

Despesas operacionais recuam

No plano das despesas, os custos operacionais da Nos, excluindo amortizações, recuaram 7,7%, para 542,4 milhões de euros.

O investimento, sob a forma de capex (capital expenditure), caiu 1,9% no período de nove meses, para 269,6 milhões de euros, tendo recuperado 6% na análise do último trimestre, período em que a Nos investiu 92,2 milhões de euros.

No final de setembro, a Nos registava uma dívida líquida de 1.347,9 milhões de euros, um aumento de 1,4% face ao período homólogo.

(Notícia atualizada pela última vez às 18h14)

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