Lucro da Nos cai quase 20% para 181 milhões em 2023. Dividendo sobe para 35 cêntimos

Operadora lucrou 181 milhões de euros em 2023, mais que o esperado pelos analistas. Resultado caiu face a 2022, quando registou mais-valias extraordinárias com a venda de torres de telecomunicações.

A Nos NOS 0,15% lucrou 181 milhões de euros em 2023, menos 19,4% do que no ano anterior, mas um resultado superior às estimativas dos analistas, que antecipavam lucros de 141,34 milhões. A quebra está relacionada com o efeito extraordinário das mais-valias registadas em 2022 com a venda das torres de telecomunicações.

Neste contexto, o conselho de administração vai propor pagar um dividendo de 35 cêntimos por ação, correspondendo a 99,6% do resultado líquido. É uma remuneração acionista 25,9% superior à de 27,8 cêntimos por ação correspondente ao exercício anterior e será votada em Assembleia Geral marcada para 12 de abril.

“Em 2023 completámos um ciclo de elevado investimento, com cerca de 1.500 milhões de euros acumulados nestes últimos três anos, na modernização e expansão das redes de nova geração fixas e móveis”, diz Miguel Almeida, CEO da Nos, citado num comunicado. “Os resultados que hoje partilhamos constituem um claro reflexo do sucesso daquelas que têm sido as apostas estratégicas da Nos e que têm merecido grande aceitação por parte dos nossos clientes”, acrescenta.

“Com os anos mais intensos de investimento em 5G já ultrapassados, estamos numa trajetória sólida de free cash flow que, aliada à solidez do nosso balanço, apoia a manutenção de retornos atrativos para os acionistas”, sublinha ainda o gestor no relatório submetido esta terça-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) consolidado cresceu 10,1%, para 716,7 milhões de euros, com a margem a engordar 2,1 pontos percentuais, para 44,9%. Em comunicado, Miguel Almeida justifica a melhoria com o impulso dos “significativos ganhos de produtividade potenciados pelo processo de digitalização da empresa”.

As receitas consolidadas cresceram 5% e atingiram 1.597,5 milhões de euros. Analisando apenas o negócio das telecomunicações, que é o principal, as receitas foram de 1.532,7 milhões de euros, mais 4,3% do que em 2022. Num comunicado, a Nos destaca ainda a recuperação do negócio do Cinema e Audiovisuais, com as receitas deste segmento a dispararem 11% em 2023, para 99,4 milhões de euros, ano em que vendeu mais de oito milhões de bilhetes para sessões em frente ao grande ecrã.

Ao nível operacional, a Nos aumentou o número de clientes (unidades geradoras de receita) em 2,1%, superando pela primeira vez os 11 milhões de serviços. O número de clientes de pacotes subiu 4,4%, com a Nos a somar 3,2% nos subscritores móveis, mas apenas 0,3% na televisão. O número de casas passadas com rede Nos aumentou 2,7% e atingiu, no final de 2023, os 5,4 milhões.

A contribuir para as receitas da Nos esteve ainda o aumento de preços realizado a 1 de fevereiro de 2023. Tal como as principais concorrentes, a empresa aumentou as mensalidades em até 7,8%, o máximo contratualmente previsto por causa da subida da inflação em 2022. Entretanto, já em 2024, a Nos voltou a subir preços, desta vez em até 4,3%.

Em relação aos custos operacionais, a Nos observou uma subida de 1,2%, para 880,8 milhões de euros. Já em relação ao investimento total em 2023, registou-se uma quebra de 21,8%, para 387,6 milhões de euros, “devido ao fim do ciclo de implementação acelerada do 5G”.

No final do ano passado, a Nos tinha uma dívida líquida de 1.715,8 milhões de euros, um aumento de 5,8%. Mas o rácio de dívida/EBITDA caiu marginalmente para 2,39x.

(Notícia atualizada pela última vez às 17h34)

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