Lucros dos CTT afundam 81% com queda no volume de correio

Os CTT lucraram 4,3 milhões de euros até setembro, menos 81,1% face aos mesmos nove meses do ano passado. A subida expressiva das receitas com encomendas não compensaram a queda do correio.

O grupo CTT lucrou 4,3 milhões de euros entre janeiro e setembro, um recuo superior a 81% face ao período homólogo. A informação foi comunicada pela empresa à CMVM.

Num período altamente marcado pela pandemia, o volume de correio endereçado entregue pelos CTT continuou a cair a dois dígitos. Em causa está um recuo de 17,1% no total de correio endereçado, para 387,3 milhões de objetos entregues no período.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) recuou 21,3%, para 57,7 milhões de euros, pressionando o resultado líquido. Mas enquanto as receitas com o negócio do correio caíram, o segmento de Expresso e Encomendas apresentou um crescimento expressivo.

Encomendas amparam contas dos CTT

O recuo no volume do correio continua a fazer-se sentir nos indicadores fundamentais do grupo CTT. Os rendimentos operacionais nos nove meses do ano caíram 1%, para 534,3 milhões de euros, onde se inclui uma quebra de 11,8% nas receitas de correio, que se fixaram em 308,8 milhões de euros.

Porém, numa altura em que os portugueses estão mais em casa para evitarem o contágio pelo novo coronavírus, o comércio eletrónico ganhou expressão e puxou pelas contas da empresa. As receitas com o segmento Expresso e Encomendas subiram 19,5%, para 131,5 milhões de euros, não compensando, contudo, a perda de receita com a entrega de cartas.

Num comunicado de imprensa, João Bento, presidente executivo da empresa, destaca o desempenho do grupo em plena pandemia: “Apesar da queda dos volumes de correio endereçado, intensificada pela pandemia, os rendimentos operacionais cresceram e a aposta noutras áreas de negócio mostrou-se acertada.”

O gestor salienta ainda que “estes resultados operacionais demonstram a resposta positiva dos CTT ao contexto desafiante que a economia e a sociedade atualmente atravessam”.

Importa ressalvar que os CTT já incluem nestas demonstrações financeiras um custo de 800 mil euros, “essencialmente em estudos de apoio à renegociação do novo contrato de concessão”. A concessão do serviço postal universal dos CTT termina no fim deste ano e a renegociação com o Governo tem de ficar fechada nas próximas semanas.

Comissão nos cartões ajuda Banco CTT

No relatório enviado aos mercados, destaca-se que “os rendimentos do Banco CTT atingiram 59,7 milhões de euros” nos nove meses em análise, um crescimento homólogo de 39,3%. Deste montante, 12,3 milhões são provenientes da 321 Crédito, uma empresa de crédito ao consumo adquirida pelos CTT em meados do ano passado.

“O crescimento dos rendimentos contou com a performance positiva da margem financeira de 32,8 milhões de euros nos nove meses de 2020”, uma subida homóloga de 73,7%.

No período em análise, os crescimentos nas receitas com comissões saltam à vista. Os CTT passaram a cobrar anuidade nos cartões de débito, uma alteração introduzida em abril, o que levou as receitas com este comissionamento em concreto a dispararam 517,2%. No total, as comissões cobradas pelo Banco CTT cresceram 3,4 milhões de euros no período, um avanço de 56,5% face a igual período de 2019.

O Banco CTT conta com uma carteira de crédito automóvel líquida de imparidades de 536,2 milhões de euros, que “foi fortemente afetada pelo encerramento dos pontos de venda” por causa da Covid-19. Tem ainda uma carteira de crédito à habitação de 494,3 milhões de euros, uma queda de 13%.

Os depósitos dos clientes aumentaram 35,4%, para 1.571 milhões de euros. Há agora 505 mil contas abertas no Banco CTT, mais 66 mil do que no período homólogo.

No plano das imparidades e provisões, o Banco CTT provisionou 8,5 milhões de euros, dos quais 5,8 milhões dizem respeito ao segundo trimestre. Além disso, em consequência da pandemia, “as imparidades e provisões da 321 Crédito atingiram os 7,9 milhões de euros nos nove meses de 2020, com 5,5 milhões no segundo trimestre e 900 mil no terceiro trimestre”.

“No final dos nove meses de 2020, os pedidos de moratórias formalizados atingem uma exposição total de 41,2 milhões de euros, representando 3,9% do total da carteira bruta de crédito. As moratórias privadas de crédito automóvel no montante de 27,6 milhões de euros terminaram a 30 de setembro e representavam 40,1% do total das moratórias formalizadas”, lê-se na nota submetida aos mercados.

Despesas aumentam no período

Quanto às despesas, o grupo CTT registou gastos operacionais de 476,6 milhões de euros nos nove meses do ano, uma subida de 2,2%.

Em causa está uma subida de 3,9% nos gastos com fornecimentos e serviços externos, para um total de 201,1 milhões de euros, e de 20,5% nos outros gastos, para 24,8 milhões de euros.

Os gastos com pessoal caíram 0,6%, para 250,6 milhões de euros, num período em que a empresa reduziu o seu número de trabalhadores em 207. O grupo emprega agora 12.472 pessoas entre efetivos e contratos a termo.

No final de setembro, a dívida líquida consolidada dos CTT era de 72,8 milhões de euros. É um aumento de 12,8 milhões de euros face a 31 de dezembro de 2019.

(Notícia atualizada pela última vez às 17h36)

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história e às newsletters ECO Insider e Novo Normal.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Lucros dos CTT afundam 81% com queda no volume de correio

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião