CTT registam volume de encomendas acima do Natal e Black Friday

Sem entrar em detalhes, o presidente executivo dos CTT revelou que a empresa está a registar volumes de encomendas acima dos valores do Natal e da Black Friday do ano passado.

O confinamento está a puxar pelo comércio eletrónico. Mas, com a generalidade dos portugueses em casa, é preciso quem leve as encomendas à porta. Esse trabalho tem valido negócio para os CTT CTT 1,14% e os volumes estão em máximos. “Estamos com valores de encomendas acima dos valores do Natal passado ou da Black Friday passada“, revelou o presidente executivo da empresa, João Bento.

Numa videochamada transmitida em direto, uma iniciativa do ISCTE Executive Education, o gestor português falou sobre os tempos de pandemia e da transformação provocada pela crise sanitária na operação do grupo postal. Segundo João Bento, antes da pandemia, a empresa entregava três milhões de cartas e 80.000 encomendas por dia. Em termos absolutos, a subida das encomendas não compensou a queda do correio. Mas em termos percentuais, as encomendas subiram mais do que a queda do correio.

O líder dos CTT revelou também que a empresa está a aproveitar a rede de correio tradicional para distribuir encomendas do segmento de Expresso & Encomendas. “Aumentámos a percentagem de entregas através da rede de correios tradicional”, disse. Há, contudo, “restrições de natureza física”. “Quatro ou cinco encomendas [no saco do carteiro] ocupa muitíssimo mais espaço [do que se fossem cartas]”, explicou.

Medo da Amazon? “Há benefícios na falta de escala”

Os CTT são o principal parceiro de distribuição da Amazon em Portugal. Noutros mercados de maior dimensão, a gigante norte-americana tem vindo a apostar em fazer ela própria as entregas, tornando-se forte concorrente de anteriores parceiros, como aconteceu com a FedX e com a UPS. Mas os CTT, para já, estão “confortáveis nessa dimensão”.

Para João Bento, o grupo português está numa situação mais vantajosa, até pela menor dimensão do mercado português. Reconhecendo que a empresa está “um bocadinho ao abrigo da principal preocupação, que é a Amazon passar a fazer a entrega ela própria”, o gestor disse que “não há só inconvenientes” na “falta de escala” do mercado nacional. “Também há benefícios”, apontou.

Além disso, operadores postais como os CTT têm “vantagem” no last mile — o último percurso da entrega de uma encomenda, entre o último centro de distribuição local e a casa do cliente. “Nós distribuímos a custos marginais. E quanto menos correio há, mais capacidade disponível fica. E tem de lá estar, temos de ir a casa das pessoas todos os dias, quer haja muitas cartas, quer haja poucas”, justificou. “Se não entrarmos, passamos à porta.”

Trabalhadores em greve esta sexta-feira

Com a atividade económica sob fortes restrições, o serviço dos CTT foi definido como um serviço essencial, até porque a empresa detém a concessão do serviço universal postal no país. A empresa tem voltado o foco para o negócio do comércio eletrónico e João Bento disse acreditar que o grupo sai desta pandemia como líder “na promoção” do e-commerce no país, muito por causa desta “subida nunca antes vista” no negócio, referiu.

A paralisação económica também está a obrigar a empresa a cortar despesas. Depois de ter decidido não adotar o regime de lay-off simplificado na empresa, a administração tenciona pagar o subsídio de alimentação aos trabalhadores em cartão, uma decisão que levou à convocação, pelos sindicatos, de uma greve para esta sexta-feira.

Evolução das ações dos CTT na bolsa de Lisboa

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