83% das empresas dizem que apoios ficam aquém do necessário

A avaliação que as empresas fazem dos apoios lançados pelo Governo deteriorou-se. Aumentou para 83% a fatia de empresários que dão nota negativa às medidas de ajuda.

Há mais empresas a dar nota negativa aos apoios lançados pelo Governo, considerando que não não estão à altura das necessidades. De acordo com o inquérito apresentado, esta segunda-feira, pela Confederação Empresarial de Portugal (CIP), mais de quatro em cada cinco empresas sentem agora que as medidas de ajuda ficam aquém ou muito aquém do que é preciso.

Este inquérito da CIP sobre a situação atual das empresas, as expectativas que têm até ao final do ano e a avaliação que fazem das medidas lançadas pelo Governo para combater a pandemia e para apoiar a economia integra o Projeto Sinais Vitais e está a ser desenvolvido em conjunto com o Instituto Universitário de Lisboa.

De acordo com as respostas recolhidas junto de 513 empresas, a avaliação que é hoje feita aos apoios extraordinários lançados pelo Governo é mais pessimista do que em outubro. Isto uma vez que, este mês, cerca de 83% das empresas dizem que os programas de apoio estão aquém ou muito aquém do que necessitam, contra 77% no mês anterior.

Da amostra total, 58% dizem que as ajudas ficam aquém (em outubro, era 57%) e 25% dizem que ficam muito aquém do que é preciso (em outubro, eram 20%). Do outro lado do espetro, 16% das empresas consideram que as medidas estão à altura das necessidades, menos seis pontos percentuais do que em outubro. E mantém-se em 1% o universo de empresas que consideram que os apoios superam as expectativas.

Que avaliação fazem as empresas dos apoios lançados pelo Governo?

Fonte: CIP/ISCTE

Quanto à caracterização dessas empresas, subiu para 44% a fatia de companhias que já pediram financiamento bancário e para 14% a fatia daquelas que não pediram, mas pensam vir a fazê-lo. Desceu, do mesmo modo, para 42% (menos dois pontos percentuais) o universo de empresas que nem pediram financiamento bancário, nem pensam vir a pedir.

De notar que 61% das empresas inquiridas admite estar a sofrer quebras (em torno de 39%) nas vendas e prestações de serviços. E só 12% diz estar a verificar um aumento das vendas. Ainda sobre este ponto, a maioria das empresas (64%) tem feito vendas apenas a clientes habituais.

Pressão nas vendas leva empresas a cortar no investimento

Quanto ao futuro, as empresas indicam que os próximos meses não serão bons meses nem para as vendas, nem para o investimento. Cerca de 68% estimam que as vendas cairão, entre novembro e dezembro, face aos números registados no período homólogo. Em causa deverá estar uma quebra média de 40%. “Estes valores pioraram este mês já que a expectativa de diminuição de vendas existia no mês anterior em 60% das empresas contra 68% este mês”, revela o inquérito.

Em sentido inverso, apenas 10% das empresas espera registar um aumento das vendas face aos dados verificados nos últimos dois meses de 2019, estimando um aumento de 20%. Quanto ao investimento, 46% das empresas “pensam diminuir investimento de 2021 versus 2019“, com uma quebra média de 53%, o que é “preocupante”, frisa o estudo da CIP.

Ainda assim, a grande maioria das empresas prevê manter os seus postos de trabalho, nos últimos dois meses do ano. Cerca de 75% das empresas inquiridas esperam manter os recursos humanos, contra 21% que pretendem cortar o número de trabalhadores. Em média estará uma quebra de 24% dos empregos. “Mesmo assim é bem melhor do que a previsão de quebra de vendas, o que significará um esforço das empresas em manter postos de trabalho face à quebra de vendas”, é salientado no inquérito.

Para a CIP, todos estes números comprovam a necessidade de um Orçamento do Estado que aposte na economia e ajude as empresas. “São necessárias medidas de estímulo à economia e de manutenção dos postos de trabalho“, salientou, nesse sentido, Óscar Gaspar. “São precisas mais medidas porque esta crise não vai acabar a 31 de dezembro“, acrescentou o mesmo responsável da confederação, referindo que as empresas não precisam de mais endividamento, pelo que são necessárias ajudas a fundo perdido.

A propósito, o Governo lançou recentemente um novo pacote de apoios, face ao agravamento da pandemia e ao endurecimento das restrições. Nesse âmbito, estão agora previstos mais de 900 milhões de euros em apoios a fundo perdido para as empresas, sobretudo aquelas que se enquadrem nos setores mais afetados pela Covid-19.

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