CDS quer saber estratégia do Governo antes de votar estado de emergência

CDS criticou o Governo pela "ausência de estratégia" no controlo da pandemia, referindo que prefere esperar pelas medidas do decreto presidencial para o estado de emergência para "tomar uma posição"

Após uma reunião com o Presidente da República, o vice-presidente do CDS-PP não abriu o “jogo” quanto ao sentido de voto dos centristas face a uma eventual renovação do estado de emergência. Filipe Lobo d’Ávila critica o Governo pela “ausência de estratégia” no controlo da pandemia, referindo que prefere esperar pelas medidas que vão constar no decreto presidencial para “tomar uma posição”.

“Teremos de saber quais são as medidas [que vão contar no decreto presidencial sobre o estado de emergência] para tomar uma posição relativamente àquela que será a votação do CDS sobre esta matéria”, começou por explicar o vice-presidente do CDS-PP, à saída da reunião com Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, em declarações transmitidas pelas televisões.

Para os centristas é “evidente” a “ausência de estratégia” do Executivo no controlo da pandemia, já que muitas das medidas que têm sido aplicadas têm gerado “muita confusão”. “A navegação à vista é evidente e numa crise como esta não podemos navegar à vista”, alertou o deputado do CDS. Assim, o partido liderado por Francisco Rodrigues dos Santos incita o Governo a apresentar um “plano estruturado” sobre a estratégia a adotar em termos de saúde pública, nomeadamente no que toca à “distribuição de vacinas”, bem como às “condições logísticas que têm de ser acuteladas” para o seu armazenamento, assim como da economia. “Até agora não sabemos nada, atira”.

Quanto ao facto de o Executivo estar a estudar a possibilidade de vir a distinguir em três escalões de risco os vários concelhos do país, definidos em função da gravidade da pandemia, Filipe Lobo d’Ávila refere que “há mais de um mês” que o partido fala nisso, pelo que concorda com a “necessidade de fazer uma diferenciação entre os concelhos”. Ao mesmo tempo, considera “absolutamente bizarro e inusitado”, que esta possibilidade só esteja em cima da mesa depois de terem sido aprovadas fortes restrições durante os dois últimos fins de semana nos concelhos de elevado risco de transmissão da Covid-19, que para o CDS são “totalmente incompreensíveis”. “É totalmente incompreensível e demonstra no nosso ponto de vista um desnorte total”, aponta.

Além disso, Filipe Lobo d’Ávila revelou que esta quinta-feira vai haver uma reunião com especialistas, no Infarmed, para preparar novas medidas do estado de emergência. “Fiquei com a ideia de que a reunião de amanhã [quinta-feira] seria uma reunião preliminar, preparatória das decisões que vão ser tomadas por parte do Governo e que no findo darão substância ao decreto presidencial da declaração de estado de emergência”, explicou.

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