Um smartphone equivale a 86 kg de lixo “invisível”. Saiba o que é e como evitar

O tema dos resíduos invisíveis dá o mote em 2020 à 12ª Semana Europeia da Prevenção de Resíduos, que se estende até ao próximo domingo, 29 de novembro

Para que um smartphone que pesa cerca de 200 gramas chegue às suas mãos, numa caixinha pequena, ao longo de toda a cadeia de produção deste bem de consumo tão imprescindível nos dias de hoje são gerados 86 kg de resíduos “invisíveis”. Num computador portátil de 3 kg a parada sobre para 1200 kg de lixo supérfluo. Já um par de calças dá origem a 25 kg de desperdício e um par de sapatos produz outros 12 kg. Os cálculos são da Avfall Sverige, uma associação sueca de gestão e reciclagem de resíduos, que estudou a pegada de 11 produtos e estimou o seu custo climático.

Ou seja, há uma enorme quantidade de resíduos que os consumidores não veem e que vão sendo criados no processo de fabrico dos produtos. Grande parte deste lixo invisível não pode ser reciclada e acaba por ir parar aos aterros ou por ser incinerada, traduzindo-se em mais emissões poluentes.

Este tema dos resíduos invisíveis dá o mote em 2020 à 12ª Semana Europeia da Prevenção de Resíduos, que se estende até ao próximo domingo, 29 de novembro. Neste contexto, dar prioridade aos objetos recarregáveis ou reutilizáveis, alugar e partilhar produtos, dar uma nova vida aos objetos que já não utiliza e reciclar são algumas das principais dicas da Sociedade Ponto Verde para evitar a produção excessiva diária de resíduos (sobretudo os invisíveis).

“No âmbito desta Semana Europeia é lançado um desafio aos consumidores: tomar consciência da enorme quantidade de resíduos que todos geramos inconscientemente. Por isso, é necessário tornar esse desperdício visível para se tomar decisões informadas ao escolher qual produto a comprar e assumir a responsabilidade pela nossa pegada ecológica”, refere a SPV em comunicado.

Para um fabrico e um consumo mais sustentáveis, os produtos devem ter acima de tudo uma vida útil mais longa, o que reduz a necessidade de produzir mais e, logo, a quantidade de resíduos. Devem também ser mais fáceis de reparar e de reciclar.

Mas o que são resíduos invisíveis e porque é que normalmente não ouvimos falar deles? Diz a SPV que têm este nome porque, enquanto consumidores, nem sempre nos apercebemos que a produção dos bens que compramos gera também ela muitos desperdícios que, muitas vezes, não são recicláveis.

O estudo da sueca Avfall Sverige olha também para a pegada carbónica, além do cálculo dos resíduos gerados. Frango, carne de vaca, computador portátil, litro de leite, calças, sapatos, smartphone, roupa desportiva, embalagem de cartão e jornal, são alguns dos produtos analisados.

Os resultados mostram que há grandes benefícios ambientais em produzir menos bens de consumo e usar os produtos de forma mais eficiente, pois só assim será possível reduzir a pegada global dos resíduos do consumo. Os autores deste estudo defendem por isso a importância de mudar os padrões de consumo e defendem novos modelos de negócio baseados num consumo orientado para o uso (partilha e reutilização) que encorajam estilos de vida mais sustentáveis.

Exemplos de resíduos “invisíveis”

  • 1 litro de leite: gera, no total, 97 gramas de desperdício e contribui com 1 quilo para a pegada de carbono.
  • 1 quilo de carne de vaca picada: são gerados 4 quilos de desperdício e emitidos 29 quilos de CO2.
  • Smartphone de 200 gramas: são desperdiçados 86 quilos de resíduos e lançados 110 quilos de CO2 para a atmosfera.
  • Computador portátil: os resíduos invisíveis atingem 1200 quilos, sendo emitidos outros 210 de dióxido de carbono.
  • Calças: geram 25 quilos de desperdício e libertam 6,3 quilos de CO2.
  • Par de sapatos: produz 12 quilos de desperdício invisível e emite outros 11 de CO2.

“Reduzir, reutilizar e reciclar. Estes hábitos tornam-se cada vez mais importantes exatamente por causa dos resíduos invisíveis que ajudamos a criar. Segundo o Eurostat, a produção, o transporte e a distribuição dos produtos que consumimos são responsáveis por quase 50% das emissões de gases que contribuem para um aumento das alterações climáticas”, sublinha a SPV, enumerando alguns gestos que pode ter no dia-a-dia para gerar menos resíduos e com menor impacto no ambiente:

  • Quando compra produtos embalados garanta que as embalagens seguem para reciclagem;
  • Procure nas embalagens iconografia que o ajuda a saber reciclar mais e melhor;
  • Dê prioridade a objetos recarregáveis ou reutilizáveis, reciclados ou feitos de materiais recicláveis e aos produtos com o rótulo ecológico europeu;
  • Prolongar a vida útil dos produtos reparando e reutilizando;
  • Alugar e partilhar produtos;
  • Dar uma nova vida aos objetos que já não utiliza, como roupa ou calçado, oferecendo-os a alguma instituição ou a alguém que necessite;
  • Utilizar sempre a opção frente e verso quando faz impressões;
  • Reutilizar documentos antigos como folhas de rascunho;
  • Aproveite a luz natural da casa, abrindo as janelas e evitando acender as lâmpadas desnecessariamente;
  • Ter um ecoponto doméstico. 90% dos lares com ecoponto doméstico separam todos os materiais de embalagem;
  • Quando não está a utilizar dispositivos eletrónicos como computador, carregadores ou outros eletrodomésticos devem desligá-los da corrente elétrica;
  • Quando vai às compras opte por utilizar sacos de compras reutilizáveis;

Projetos como o Ponto Verde Lab, a iniciativaTalk4Recycling, a nova Iconografia de Reciclagem e a participação nos Grupos de Trabalho do Pacto Português para os Plásticos são exemplos do compromisso da SPV com o tema da prevenção de resíduos.

O objetivo é o desenvolvimento de mecanismos de atuação que promovam, facilitem e incentivem a alteração efetiva das embalagens para que seja possível minimizar a quantidade de resíduos produzidos e que a qualidade dos mesmos, com vista à sua valorização por reciclagem, seja cada vez maior.

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