16% das empresas dizem aguentar apenas sete meses se medidas se agravarem

Nas últimas duas semanas, depois de ter sido decretado o estado de emergência, 55% das empresas viram um impacto negativo na evolução do volume de negócios.

Os efeitos da pandemia na atividade das empresas nacionais continua a ser bastante visível. De acordo com o inquérito preparado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelo Banco de Portugal (BdP) para acompanhar esta crise, 16% das empresas estimam conseguir subsistir apenas pouco mais de meio ano se as medidas de contenção da pandemia forem agravadas e os apoios financeiros não aumentarem.

Nas últimas duas semanas, com a entrada em vigor do estado de emergência e com o decretar de novas medidas de contenção do vírus, mais de metade das empresas viu um “impacto negativo ou muito negativo” no volume de negócios, associado à redução das encomendas e dos clientes (59%) e às novas medidas de contenção (56%) anunciadas pelo Governo.

Por setor de atividade, o alojamento e a restauração é “aquele em que as alterações decorrentes da pandemia têm maior impacto negativo ou muito negativo sobre a evolução do volume de negócios das empresas”, diz o inquérito. Para 82% dos restaurantes e unidades de alojamento, as novas medidas de contenção “afetam negativamente a evolução do volume de negócios”.

A maioria das empresas que atualmente recebe os apoios anunciados pelo Governo no âmbito da pandemia considera as medidas anunciadas como “muito importantes” para a sua situação de liquidez, sendo que pelo menos 50% do setor e da restauração beneficiavam de algum tipo de apoio.

No que diz respeito aos postos de trabalho, 85% das empresas deverão manter os trabalhadores até ao final de 2020, enquanto 10% têm planos para despedir pessoal, revela o inquérito. Já para 2021, 74% das empresas planeiam manter os postos de trabalho, sendo que a percentagem que planeia aumentar e reduzir trabalhadores é idêntica. No setor do alojamento e da restauração, 35% das empresas planeiam despedimentos este ano e em 2021.

No futuro, 90% das empresas estão preocupadas face a um agravamento ou prolongamento das medidas de contenção da pandemia a implementar pelo Governo. Contudo, 84% das empresas não preveem fechar portas caso as medidas de contenção se agravem. Contudo, há 16% que admitem essa possibilidade, estimando sobreviver, em média, apenas cerca de sete meses. No alojamento e restauração, 42% das empresas acredita ser capaz de substitir 5,3 meses, em média, se as medidas se agravarem.

É por isso que pelo menos 40% das empresas consideram muito importante uma extensão das medidas de apoio do Governo face a um cenário de agravamento das medidas de contenção. O inquérito mostra ainda que 90% das empresas de alojamento e 79% dos restaurantes consideram muito importante o alargamento ou reposição do lay-off simplificado e a suspensão de obrigações fiscais e contributivas.

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