Pfizer e Moderna pedem aprovação na União Europeia para vacinas contra Covid-19

A Agência Europeia do Medicamento confirmou ter recebido pedidos de aprovação de duas vacinas contra a Covid-19, a da Pfizer e a da Moderna.

As farmacêuticas Pfizer e Moderna já pediram aprovação para as suas vacinas contra a Covid-19 à Agência Europeia do Medicamento, confirmou a entidade europeia num comunicado. Os pedidos abrem caminho para eventuais aprovações de vacinas na União Europeia (UE) ainda este ano.

“A BioNTech/Pfizer e a Moderna submeteram pedidos para as suas vacinas da Covid-19. O comité de medicamentos humanos da agência marcou reuniões extraordinárias para concluir a avaliação”, lê-se numa nota publicada no site da Agência Europeia do Medicamento.

A agência Bloomberg (acesso condicionado) já tinha confirmado que a Pfizer já tinha submetido o pedido ao regulador europeu do medicamento, poucas semanas depois de ter feito o mesmo junto do regulador do medicamento norte-americano.

Estes pedidos colocam as vacina da Pfizer e da Moderna no caminho de uma possível aprovação regulatória europeia ainda antes do fim deste ano. Em relação à primeira, os ensaios clínicos envolvendo quase 44 mil voluntários mostraram que esta vacina experimental tem uma eficácia a rondar os 95%. A Moderna também provou que a sua vacina tem uma eficácia a rondar os 95%.

A Pfizer já tinha pedido aprovação da vacina nos EUA em meados de novembro e, no fim de semana, o Financial Times avançou que o regulador britânico se prepara para aprovar esta vacina nos próximos dias.

As vacinas da Pfizer e da Moderna são do tipo genético, o que significa que introduzem material genético do novo coronavírus nas células humanas, induzindo a produção de uma proteína do SARS-CoV-2 e, consequentemente, uma resposta imunitária do organismo. Se forem aprovadas, como se espera, serão as primeiras vacinas deste tipo a entrarem no mercado.

O primeiro-ministro português, António Costa, revelou esta terça-feira que o Governo vai anunciar os detalhes do plano nacional de vacinação contra a Covid-19 na quinta-feira à tarde, recusando que o país esteja atrasado nesta matéria.

Bruxelas vê “luz ao fundo do túnel”

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse esta terça-feira ver “uma luz ao fundo do túnel” para a pandemia, por as primeiras vacinas poderem chegar à União Europeia ainda este ano, mas pediu disciplina.

“Existe uma luz ao fundo do túnel, mas temos de continuar a ser disciplinados até termos atingido um nível de vacinação suficiente para erradicar este vírus”, declarou Ursula von der Leyen, falando numa videoconferência da Conferência dos Órgãos Especializados em Assuntos da União dos Parlamentos da União Europeia (UE), organizado pela presidência alemã da União.

No dia em que se assinala o primeiro ano do mandato de Ursula von der Leyen, muito marcado pela crise sanitária e económica gerada pela pandemia da Covid-19, a líder do executivo comunitário notou que, “se tudo correr bem, os primeiros cidadãos a receberem a vacina poderão já ser vacinados antes do final de dezembro”. “E isto será um grande passo em direção a uma vida normal”, vincou.

Ainda assim, lembrou que “a crise do novo coronavirus está longe de estar concluída”, pelo que solicitou respeito pelas medidas de contenção.

Até ao momento, a Comissão Europeia já assinou seis contratos com farmacêuticas para assegurar vacinas para a Europa quando estas se revelarem eficazes e seguras: a AstraZeneca (300 milhões de doses), a Sanofi-GSK (300 milhões), Johnson & Johnson (200 milhões) e BioNTech e Pfizer (300 milhões), CureVac (405 milhões) e Moderna (160 milhões de doses). Ao todo, de acordo com líder do executivo comunitário, “a Comissão assegurou cerca de dois mil milhões de doses de uma potencial vacina contra o vírus”.

“Fechámos contrato com seis companhias farmacêuticas que estão a trabalhar com as vacinas mais promissoras e, até ao momento, as coisas correm bem, e todas estão a produzir aqui na Europa”, destacou.

Está previsto que as vacinas asseguradas pela Comissão Europeia sejam disponibilizadas ao mesmo tempo para todos os Estados-membros da UE, sendo que a quantidade atribuída a cada país será baseada na população. A compra também é feita por cada país.

“Os Estados-membros estão, então, a trabalhar nos seus planos de vacinação e na logística para a aplicação de dezenas de milhões de doses de vacina”, observou Ursula von der Leyen, lembrando que “não é a vacina que é importante, são os planos de vacinação”.

A líder do executivo comunitário argumentou que “a incerteza continua, mas de forma diferente do que em março e do que na primeira vaga”. “Hoje sabemos que existe uma saída e a boa notícia é que temos as ferramentas para combater esta crise”, afirmou.

Apesar do cenário otimista, Ursula von der Leyen reconheceu que “a Europa está a ser severamente atingida pela segunda vaga”, com algumas regiões “em confinamento para tentar salvar vidas, apesar de todas as consequências que isto tem para trabalhadores e empresas”.

A pandemia de Covid-19 provocou pelo menos 1.460.018 mortos resultantes de mais de 62,7 milhões de casos de infeção em todo o mundo.

(Notícia atualizada pela última vez às 11h58)

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