PIB só pode cair até 3,4% no quarto trimestre para não comprometer meta do Governo

A economia portuguesa pode cair até 3,4% no quarto trimestre face ao terceiro trimestre e, ainda assim, a meta do Governo de uma queda anual de 8,5% será cumprida.

Após uma queda histórica no segundo trimestre, a economia portuguesa recuperou significativamente no terceiro trimestre, superando até as previsões. Contudo, a segunda vaga de infeções no outono levou a um confinamento parcial que terá impacto na economia, interrompendo a recuperação. Com os economistas a antecipar uma quebra em cadeia, a questão impõe-se: até quanto pode cair o PIB no quarto trimestre sem comprometer a meta anual do Governo?

Os cálculos do ECO com base nos dados divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) apontam para uma contração máxima de 3,4% em cadeia (face ao terceiro trimestre) e de 9,5% em termos homólogos. Uma queda do PIB superior a esta dimensão significa que não será alcançada a previsão de uma queda anual do PIB de 8,5% que o Ministério das Finanças inscreveu no Orçamento do Estado para 2021 (OE 2021). Nos três trimestres já decorridos, o PIB acumula uma queda de 8,2% em termos homólogos.

A perspetiva é que a recuperação da economia seja interrompida no quarto trimestre, mas a dúvida que se coloca é se Portugal consegue passar por um novo período de estado de emergência, ainda que light“muito limitado e preventivo” nas palavras do Presidente da República –, sem repetir a contração histórica do segundo trimestre de 16,4%, em termos homólogos, e de 13,9% em cadeia. No terceiro trimestre, a economia cresceu 13,3% em cadeia, mas continua 5,7% aquém do PIB do terceiro trimestre de 2019.

Segundo os economistas do BPI, a previsão é que a economia vá contrair 2,6% em cadeia no quarto trimestre, o que permitirá encerrar o ano com uma queda de 8,3%. “Admitindo que o grau de confinamento não se agrava até ao final do ano, antecipamos que o PIB contraia 2,6% no quarto trimestre e que a contração da economia se fique pelos 8,3% em 2020 (antes esperávamos uma queda de 10%)”, escreveu o banco numa nota divulgada esta segunda-feira.

Também os economistas do ISEG antecipam uma contração nesta parte final do ano, mas sem chegar aos valores do segundo trimestre. “O agravamento geral da crise sanitária ao longo do mês, e as ações desencadeadas para a controlar, torna provável que a atividade económica venha a decrescer face ao trimestre anterior, ainda que numa dimensão bastante mais moderada do que a registada no segundo trimestre“, escreveram no início do mês, admitindo uma queda do PIB até 5% em cadeia para que a variação anual fosse de -9%.

O Grupo de Análise Económica do ISEG argumentava que, “em princípio, este retrocesso do crescimento será comparativamente pequeno” porque “a maior parte das medidas que estão indicadas para combater a epidemia nos diversos países não afetam diretamente a atividade económica (com a exceção de alguns setores dos serviços)”. Ainda assim, admitiam que era “inevitável” que o consumo privado e o investimento “se venha a ressentir e o PIB a cair” por causa da “situação e ambiente criado”.

Tanto em Portugal como na Zona Euro os indicadores económicos já registaram quedas em novembro — as compras com cartão baixaram, assim como o sentimento económico e as expectativas de emprego –, mas os dados ainda não permitem estimar a dimensão da queda. O primeiro valor oficial do PIB do quarto trimestre deverá ser divulgado a 2 de fevereiro do próximo ano pelo Instituto Nacional de Estatística.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

PIB só pode cair até 3,4% no quarto trimestre para não comprometer meta do Governo

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião