Maioria das têxteis teve de reduzir postos de trabalho com a pandemia

26% das empresas de têxtil e vestuário admitem reduções no volume de negócios entre 25% a 50% no último trimestre.

As empresas do setor têxtil e vestuário estão a enfrentar sérias dificuldades com a pandemia da Covid-19. Quase um terço das empresas (30%) prevê uma redução no volume de negócios entre 25% a 50% no último trimestre de 2020, enquanto 17% espera uma quebra superior a 50%, quando comparado com o ano passado, de acordo com o último inquérito da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) realizado às empresas. E muitas tiveram já de reduzir os postos de trabalho.

Ainda em relação ao impacto do volume de negócios no último trimestre do ano, 29% das empresas do setor prevê uma redução no volume de negócios entre 10% a 25%, enquanto 5% das empresas espera uma redução até 10%. Por outro lado, 19% das empresas respondeu que não irá registar qualquer quebra no volume de negócios nos últimos três meses do ano.

No que diz respeito à manutenção dos postos de trabalho, a associação liderada por Mário Jorge Machado, faz um balanço do ano e destaca que a grande maioria das empresas têxtil (63%) reduziu o número de trabalhadores em 2020, enquanto 10% das empresas assistiu a uma redução entre 25% a 50% e 8% verificou uma redução entre 10% a 25%.

Para tentar travar o impacto da pandemia, o inquérito mostra ainda que mais de metade (53%) das empresas aderiram às linhas de crédito, 42% às moratória de crédito, 24% ao incentivo extraordinário à normalização da atividade, 16% à apoio à retoma progressiva, 15% ao regime de lay-off, e por último, 13% das empresas aderiram ao diferimento de pagamento de impostos.

Setor não está otimista em relação ao primeiro trimestre de 2021

Perante um cenário de instabilidade, as empresas não estão otimistas em relação aos níveis de faturação dos três primeiros meses do próximo ano. De acordo com o inquérito da ATP, 26% das empresas espera uma redução entre 25% a 50% no primeiro trimestre de 2021, enquanto 29% espera uma redução entre os 10% e os 25%. Por outro lado, 15% das empresas de têxtil e vestuário prevê uma redução na faturação superior a 50%, enquanto 13% das empresas prevê uma redução até 10%. Apenas uma pequena franja das empresas inquiridas (17%) não prevê reduzir o nível de faturação no próximo ano.

Devido ao novo confinamento, a maioria das empresas prevê continuar a aderir aos apoios do Estado como forma minimizar os efeitos da pandemia, 38% das empresas têxteis equaciona a possibilidade de utilizar linhas de crédito, 26% aderir às moratórias de pagamentos e 23% ao apoio à retoma progressiva.

Segundo a associação liderada por Mário Jorge Machado, as principais dificuldades que as empresas enfrentam neste momento centram-se “incerteza /instabilidade dos mercados e imprevisibilidade na cadeia de produção e consequentemente no planeamento”, “pouca procura”, “anulação e redução de encomendas”, “clientes com dificuldade de pagamento”, “dificuldades de tesouraria”, “custos fixos elevados”, dificuldades no acesso às medidas de apoio”, “manutenção dos postos de trabalho”, entre outras.

Este inquérito foi realizado a 194 empresas, sendo que a grande maioria são pequenas (38%) ou médias (35%) empresas com volume de negócios até aos 50 milhões de euros.

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