45% dos hotéis em Portugal estão atualmente encerrados por causa da pandemia

As expectativas foram piorando ao longo dos meses e agora 45% dos hotéis em Portugal fecharam. Cerca de metade das unidades encerradas estima reabrir portas em março.

Se há dois meses se estimavam perdas de até 80% nas receitas dos hotéis, o panorama veio a revelar-se ainda mais dramático. O inquérito mais recente feito pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) mostra que 45% dos hotéis nacionais estão atualmente encerrados devido à pandemia.

“45% dos estabelecimentos hoteleiros estão encerrados atualmente”, disse a CEO da associação, Cristina Siza Vieira, durante a apresentação deste inquérito, que decorreu entre 13 de novembro e 2 de dezembro. “Há, de facto, já no início de novembro, uma elevadíssima percentagem de estabelecimentos que estão encerrados e assim continuarão”, notou.

Relativamente a esses hotéis que estão atualmente de portas fechadas, cerca de metade (46,4%) estima reabrir em março. Enquanto isso, 23,7% ainda não tem uma data definida para a reabertura, enquanto 2,9% apontam para janeiro e 6,3% em fevereiro. “O futuro é ainda muito incerto”, comentou a responsável da AHP.

Apesar de encerradas, 40% das unidades ponderam abrir pontualmente, com destaque para as localizadas no Alentejo, onde 70% só têm aberto aos fins de semana, e para as localizadas em Lisboa, onde 51% dos hotéis abre só para eventos ou festividades.

Contudo, Cristina Siza Vieira realça que estes não se tratam de encerramentos definitivos e que as expectativas não apontam nesse sentido. “A nossa estimativa é, desde o início, que haja muito poucos hotéis a encerrar portas definitivamente. Estão em hibernação, à espera que a procura retome para reabrir. Usaram todos meios ao dispor porque a sua intenção é reabrir”, explicou.

No que diz respeito aos hotéis que continuam abertos, a maioria não tem disponíveis todos os quartos. O inquérito mostra que 37% das unidades hoteleiras “têm capacidade reduzida” do número de quartos, enquanto 26% estima diminuir essa capacidade em 26%. Num cenário mais aberto, “72% da capacidade de alojamento da hotelaria estará por usar”, dado que a “procura tem sido inexistente ou se espera muito baixa”, disse a CEO.

Ainda assim, face a este cenário, a AHP mantém as últimas expectativas. “Fomos agravando as expectativas e mantemos o que viemos dizendo nos últimos inquéritos. Estimamos uma perda de 46,4 milhões de dormidas (menos 80%), enquanto nas receitas o mais seguro é o cenário de 80% de perda de receitas, equivalente a 3,6 mil milhões de euros“, disse a responsável.

Maioria recorreu à redução do período normal de trabalho

Entre 13 de novembro e 2 de dezembro, 65% dos hotéis inquiridos recorreram à redução do período normal de trabalho, sendo que apenas 35% não tinham optado por este mecanismo. Entre as unidades que recorreram, a maioria colocou nesta situação entre 61% a 100% dos trabalhadores, enquanto mais de 20% colocou entre 41% e 60% dos trabalhadores.

Numa análise mais fina, 58% dos hotéis em Lisboa recorreram à máxima redução do período de trabalho, uma tendência mais acentuada no Algarve e nos arquipélagos da Madeira e dos Açores, “onde o recurso a essa redução é mais amplo ou ocorre com mais frequência”, notou Cristina Siza Vieira. “No Alentejo, como a performance foi bastante interessante, uma percentagem muitíssimo elevada de unidades (65%) não recorreu” a esta opção.

O inquérito mostra ainda que 50% dos hotéis reduziram o quadro normal de trabalhadores (que inclui os trabalhadores a prazo e os pontuais).

70% dos hotéis admite dar outra finalidade aos hotéis

A AHP sugeriu e o Governo acabou por permitir que os hotéis fossem destinados a outro fim que não o propriamente hoteleiro. E essa é uma possibilidade vista com bons olhos pelo setor. O inquérito mostra que 68% dos hotéis consideram importante dar outro uso às suas instalações, entre as quais laboral (49%), formação e alojamento estudantes (24%) e eventos (20%).

(Notícia atualizada às 12h20 com mais informação)

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