Falta de apoios na hotelaria vai originar falências. “Quando houver turistas não haverá hotéis”

A hotelaria afirma que a forma como o Governo olha para o setor "revela um profundo erro de análise" e que se não houver apoios serão muitas as falências.

Assim como a restauração, também a hotelaria tem alertado para as consequências que as últimas medidas decretadas vão ter nos hotéis. A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) diz que o Governo está a olhar para o setor de forma errada e que, se não forem concedidos apoios, serão muitos os hotéis a abrirem falência. “O quarto que não se vende hoje não fica em stock para amanhã”, afirma a associação.

A forma como o primeiro-ministro encara a hotelaria revela um profundo erro de análise e a decisão de proibição de circulação no âmbito do estado de emergência agora decretado vem agravar ainda mais a situação do setor”, começa por referir a AHP, num comunicado enviado esta terça-feira.

O presidente da associação diz-se surpreendido com as medidas decretadas, mas sobretudo com as exceções, que preveem idas ao supermercado. “As medidas, mas sobretudo as exceções, deste decreto governamental surpreendem-nos, e muito. “Não se alcança o sentido de (…) serem admitidas certas exceções (…) e serem colocadas limitações em 121 concelhos aos empreendimentos turísticos e aos estabelecimentos de restauração. O que está a acontecer é que mesmo as poucas reservas que havia para estes dois fins de semana vão ser canceladas“, afirma Raul Martins.

O responsável deixou ainda críticas às declarações de António Costa esta segunda-feira, durante a entrevista à TVI. “E [surpreendem-nos] mais ainda as infelizes declarações do primeiro-ministro de ontem. Ao contrário do que o primeiro-ministro pensa, o quarto que não se vende hoje não fica em stock para amanhã“, diz.

Raul Martins afirma que “não há hóspedes” e antecipa que mais de 70% dos hotéis estejam encerrados e não reabram antes da primavera de 2021. “Na época baixa, vivemos sobretudo das reservas de fim de semana e dos eventos (…), que este ano pouco há. E com o estado de emergência e esta proibição da circulação (…), a situação é desesperante para quem ainda se mantém aberto”.

“Se somos os primeiros interessados em que exista um generalizado cumprimento das regras que permitam controlar o crescimento da pandemia no nosso país, não podemos concordar quando estas avançam com medidas pouco claras e discricionárias, decididas em cima da hora e sacrificam as poucas unidades hoteleiras e os trabalhadores que lutam por manter as suas portas abertas”, afirma o responsável.

O presidente da AHP termina relembrando que se estima uma quebra de até 46,6 milhões de euros nas dormidas este ano e de até 3,6 mil milhões de euros em receitas. “Esperamos, sinceramente, que o Governo corrija rapidamente este erro. Sem apoios as empresas de hotelaria irão à falência e quando houver turistas não haverá hotéis disponíveis“.

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