BCE melhora previsão do PIB da Zona Euro em 2020 para queda de 7,3%

As projeções do Banco Central Europeu (BCE) apontam agora para uma queda do PIB da Zona Euro de 7,3%, melhor do que a quebra de 8% prevista nas projeções de setembro.

O Banco Central Europeu (BCE) atualizou esta quinta-feira as suas projeções económicas para a Zona Euro, melhorando as perspetivas deste ano. O staff do BCE vê agora o PIB a cair 7,3% em 2020, em comparação com a queda de 8% esperada nas previsões de setembro. Em 2021, a economia da Zona Euro deverá recuperar 3,9%, abaixo dos 5% estimados em setembro, seguindo-se um crescimento de 4,2% em 2022 e de 2,1% em 2023.

Na reunião desta quinta-feira, tal como antecipado pelos analistas, o conselho de governadores do BCE, do qual faz parte Mário Centeno (governador do Banco de Portugal), decidiu aumentar o programa de compras de emergência por pandemia do BCE (PEPP) em 500 mil milhões de euros para um total de 1,85 biliões de euros. Além disso, prolongou o período até ao qual fará compras líquidas do PEPP para o final de março de 2022.

Na conferência de imprensa após a decisão, a presidente do BCE, Christine Lagarde, explicou que as notícias sobre as vacinas dão uma “maior confiança” sobre a resolução da crise de saúde pública e, consequentemente, das restrições económicas. Contudo, Lagarde avisou que demorará tempo até que seja alcançada uma imunidade da população pelo que “não se pode excluir” novos desafios económicos.

Assim, na opinião do BCE, os riscos que incidem sobre o crescimento da economia da Zona Euro continuam a ser descendentes, mas aliviaram ligeiramente na esperança de que a vacinação possa gradualmente resolver a pandemia. Porém, as implicações económicas da crise pandémica não vão desaparecer no imediato.

Lagarde alertou que a recuperação continua a ser desigual entre setores, com a atividade nos serviços (em particular no turismo) a ser mais afetada pelas restrições do que o setor industrial. Apesar de ter notado que a política orçamental e monetária estão a ajudar os cidadãos e as empresas a ultrapassar este período, a presidente do BCE notou que os consumidores continuam “cautelosas” por causa das “ramificações” da pandemia no emprego e lucros.

Perante o impacto da segunda vaga de infeções, o qual deverá ter impacto no quarto trimestre deste ano (BCE prevê uma quebra homóloga de 2,2%) e no arranque de 2021, o BCE decidiu avançar com mais estímulos à economia europeia, garantindo “flexibilidade” para assegurar que as condições de financiamento na Zona Euro continuem “favoráveis para todos os setores da economia”, tanto cidadãos como empresas, vincou Lagarde diversas vezes na conferência de imprensa.

Inflação ainda longe da meta até pelo menos 2023

Em 2020, a Zona Euro deverá escapar à deflação, mas não por muito: a taxa de inflação deverá situar-se nos 0,2%, de acordo com as novas projeções do BCE, o que fica abaixo dos 0,3% estimados nas previsões de setembro.

Nos anos seguintes, o banco central espera que a inflação acelere para os 1% em 2021, 1,1% em 2022 e 1,4% em 2023. Ainda assim, ficará longe da meta oficial do BCE de uma inflação perto, mas inferior, de 2%.

Lagarde explicou que há causas “temporárias” a contribuir para uma inflação baixa como é o caso da redução do IVA na Alemanha (que será revertida), mas admitiu que as pressões nos preços deverão manter-se “subjugadas” com a “fraca procura” na Zona Euro, principalmente nos setores relacionados com o turismo.

(Notícia atualizada às 14h22)

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