Será 2021 o novo super-ano para o ambiente?

  • Capital Verde
  • 15 Dezembro 2020

Para a ANP|WWF ainda é possível reverter a perda de biodiversidade global, mas é preciso intervir já para garantir um futuro sustentável para a vida selvagem, os ecossistemas e as pessoas.

Será 2021 o novo super-ano para o ambiente? É a esta questão que a ANP|WWF procura responder com o lançamento do seu “Balanço e Tendências Ambientais” anual, onde analisa os principais pontos negativos e os pontos positivos do ano que está a terminar, tanto em Portugal como a nível global, fazendo ainda uma antevisão das principais tendências ambientais para 2021.

Paralelamente, a organização de conservação da natureza apresenta ainda o Barómetro ‘Recuperação Verde’, uma análise crítica ao Plano de Recuperação e Resiliência entregue pelo Governo à Comissão Europeia.

Para Ângela Morgado, Diretora Executiva da ANP|WWF, “2020 começou esperançoso para a natureza e a biodiversidade, com um conjunto de decisões importantes para serem tomadas ao longo do ano que iriam definir a direção futura do panorama ambiental mundial e garantir um compromisso para reverter a perda da natureza. Devido à pandemia da Covid-19, estas ações foram adiadas, atrasando por mais um ano aquilo que é já uma corrida contra o tempo”, acrescentando ainda que “no fundo a pandemia veio mostrar a urgência de tomarmos as decisões certas agora em 2021, se queremos preservar a natureza que é o suporte da vida e da saúde humana”.

Catarina Grilo, Diretora de Conservação e Políticas da mesma organização, reforçou esta ideia partilhando que “ao longo do ano que passou, assistimos aos efeitos que os confinamentos obrigatórios provocados pela Covid-19 tiveram no ambiente: uma contração brutal da economia mundial e uma “folga”, temporária, na tendência de ser cada vez mais cedo a data em que esgotamos anualmente os recursos naturais, um sinal claro da relação entre a atividade humana e a saúde do planeta”.

Para a organização de conservação da natureza ainda é possível reverter a perda de biodiversidade global, mas é preciso intervir já para garantir um futuro sustentável para a vida selvagem, os ecossistemas e as pessoas. “É por isso que em 2021, o novo super-ano da biodiversidade, a ANP|WWF irá continuar a promover o Novo Acordo Pela Natureza e as Pessoas junto dos cidadãos, empresas e governos, focando-se no papel único que cada um pode desempenhar para reverter a perda de biodiversidade e exigir uma recuperação mais justa e sustentável”, refere a associação ambientalista em comunicado.

O documento completo de Balanço e Tendências para 2021 pode ser consultado aqui.

PRINCIPAIS TEMAS DA AGENDA AMBIENTAL PARA 2021

  • LEI DO CLIMA NACIONAL
  • CONFERÊNCIA DA ONU SOBRE OCEANOS
  • 15.ª CONFERÊNCIA DAS PARTES (COP) DA CONVENÇÃO DA DIVERSIDADE BIOLÓGICA
  • PLANO ESTRATÉGICO DA POLÍTICA AGRÍCOLA COMUM
  • PLANOS DAS BACIAS HIDROGRÁFICAS
  • PRESIDÊNCIA PORTUGUESA DO CONSELHO EUROPEU
  • PLANO DE RECUPERAÇÃO E RESILIÊNCIA (PRR)
  • 26.ª CONFERÊNCIA DAS PARTES (COP) DA CONVENÇÃO-QUADRO DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE
    ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS, EM GLASGOW
  • SAÚDE E NATUREZA
  • DIETAS SUSTENTÁVEIS E DESFLORESTAÇÃO
  • NOVO AEROPORTO PARA A REGIÃO DE LISBOA
  • IMPLEMENTAÇÃO DO PACTO ECOLÓGICO EUROPEU
  • AMBIENTE E DIREITOS HUMANOS
  • CRIAÇÃO DO CENTRO IBÉRICO DE INVESTIGAÇÃO E COMBATE AOS INCÊNDIOS FLORESTAIS

Positivo e negativo: Como foi 2020?

Para a ANP|WWF, o ano de 2020 ficou marcado pelo lançamento do Programa de Transformação da Paisagem, essencial para criar resiliência aos fogos e gerar dinamismo económico, pela criação do quadro legal para a cogestão das pescas e pelo impacto da consulta pública da Comissão Europeia sobre a desflorestação, que obteve mais de 1 milhão de assinaturas e levou o Parlamento Europeu a votar a favor da adoção de uma nova lei europeia ambiciosa de combate à desflorestação.

Por outro lado, a legislação sobre depósitos minerais continua a aguardar publicação. “Tudo indica que a mineração em mar profundo foi excluída deste diploma, mas continuamos a temer que seja permitida mineração nas nossas Áreas Protegidas”, acrescenta Catarina Grilo. À boleia da pandemia, foi ainda adiada a entrada em vigor para o setor da restauração da Diretiva sobre Plásticos de Uso Único, agravando ainda mais a utilização de plásticos descartáveis e a consequente poluição pelos mesmos.

Para avaliar e acompanhar as opções de investimento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) português em termos ambientais, e facilitar a compreensão de todos os cidadãos sobre o que está em causa neste plano, a ANP|WWF criou o Barómetro ‘Recuperação Verde’, uma análise que classifica as medidas propostas no PRR entregue em Bruxelas com um código simples: verde para o que deve ser mantido como está, amarelo para o que deve ser alterado/melhorado, e vermelho para o que deve ser excluído.

Para chegar a este código, a ANP|WWF analisou as principais medidas propostas com relevância ambiental nas suas áreas de conhecimento, escrutinando cerca de 30% do investimento previsto. Muitos dos investimentos indicados no PRR, no total de 12,9 mil milhões de euros, terão impactos no ambiente, a curto, médio e longo prazo. A aplicação destes fundos será determinante para o futuro ambiental, social e económico do país.

A ANP|WWF irá partilhar o Barómetro com as autoridades relevantes envolvidas na negociação do PRR de Portugal, para que os investimentos que se venham a decidir estejam melhor alinhados com a recuperação económica justa e sustentável defendida por mais de 100 organizações e pessoas em Portugal. Este Barómetro será atualizado com a versão final do PRR, cuja aprovação está prevista o mais tardar em abril de 2021.

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