Galp fecha Matosinhos e concentra operações de refinação em Sines

A petrolífera vai fechar a refinaria de Matosinhos, o que lhe permitirá poupar anualmente cerca de 90 milhões de euros em custos fixos e investimentos.

A Galp vai concentrar todas as suas atividades de refinação em Sines e descontinuar o complexo de Matosinhos a partir de 2021, anunciou a empresa esta segunda-feira num comunicado enviado ao mercado. A decisão foi mal recebida pelos investidores, com as ações da petrolífera a tombarem 6%.

Na base desta decisão estão “as alterações estruturais dos padrões de consumo” que levaram a empresa a fazer uma “rigorosa avaliação” das alternativas.

Esta opção vai permitir à empresa poupar anualmente 90 milhões de euros em custos fixos e investimentos, refere a empresa no mesmo comunicado, acrescentado que a unidade de refinação de Matosinhos tem um valor contabilístico associado que ronda os 200 milhões de euros. Além da redução de custos, fechar Matosinhos permitirá à Galp evitar todos os anos emissões poluentes na ordem das 900 quilotoneladas de CO2 equivalente (âmbito 1 e 2), associadas ao sistema atual.

A Galp, no comunicado que enviou ao mercado, especifica que está “a desenvolver as soluções adequadas para a necessária redução da força laboral e a avaliar alternativas de utilização para o complexo. O Executivo, entretanto, já se mostrou disponível para reunir com a Galp não só para analisar a questão dos trabalhadores, mas também para abordar a possibilidade de acesso por parte da petrolífera ao Fundo para a Transição Justa.

Em abril, a Galp suspendeu a atividade de produção de combustíveis na refinaria de Matosinhos e de Sines devido ao impacto da pandemia do novo coronavírus na economia e na procura por combustíveis. Ambas voltaram a funcionar em junho, mas, em outubro, a refinaria de Matosinhos voltou a parar.

Mas se inicialmente a Galp Energia estava a avaliar a possibilidade de produzir biocombustíveis e de aumentar o coprocessamento de matérias-primas, como vegetais e resíduos, na refinaria de Matosinhos, agora essa opção passa para Sines.

“A empresa vai focar-se no aumento da resiliência e competitividade do complexo industrial de Sines, com uma capacidade de processamento de crude de 220 mil barris por dia e equipado com unidades de maior conversão, estando em análise iniciativas com vista ao aumento da sua eficiência processual e energética, bem como a integração de produção de biocombustíveis avançados e de outros produtos com baixo teor de carbono e de maior valor acrescentado”, pode ler-se no comunicado.

Sem revelar os montantes que estes investimentos vão implicar, a petrolífera revela apena que serão suportados “pelas poupanças da reestruturação em curso e pelos mecanismos de apoio à transição energética”.

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