Tecnologia analítica ajuda a lidar com a crise pós-pandemia

  • ECO
  • 29 Dezembro 2020

Técnicas de machine learning e a tecnologia analítica ajudam a lidar com a crise pandémica e podem evitar o agravamento da situação económica. Rapidez e a eficácia são duas das vantagens do método.

Apesar de nada fazer prever a chegada de um novo coronavírus, a verdade é que a Covid-19 invadiu todo o mundo num curto espaço de tempo. A rapidez e a incerteza que caracterizam este vírus acabaram por trazer apreensão e medo a toda a população, que se viu obrigada a refazer hábitos e rotinas nas suas vidas.

Tratava-se de um vírus desconhecido que, além de afetar a saúde das pessoas, teve e continua a ter um enorme impacto na economia de todos os países do mundo. Os confinamentos, a subida exponencial na compra de bens de primeira necessidade, bem como produtos de desinfetação e proteção pessoal (máscaras, luvas e álcool gel) trouxeram muitas dificuldades a várias áreas de negócio, desde as pequenas às grandes empresas.

Sem dúvida que a grande aliada durante o “novo normal” que o mundo vive foi a tecnologia. O teletrabalho, as compras online e o take-away são alguns dos exemplos, mas não só. A tecnologia, além de auxiliar as empresas na prática, ajuda também na gestão e previsão de acontecimentos, como prever novos hábitos de consumo face à situação pandémica e ainda ajudar na gestão de stocks, entre outros.

Para perceber de que forma a tecnologia pode ser uma aliada em tempos de incerteza, o ECO conversou com João Canosa, Account Executive do SAS Portugal – Analytics Software & Solutions (empresa especializada em tecnologia analítica e inteligência artificial), que começou por explicar quais os principais benefícios de usar a analítica durante esta nova realidade:

Ao utilizarmos técnicas de forecast e planeamento de procura, todos os intervenientes na cadeia de abastecimento podem prever e otimizar algumas características dos padrões de consumo, tomando decisões mais acertadas e reduzindo alguns dos custos associados ao período pandémico. Com a introdução de uma plataforma tecnológica, que utiliza modelos matemáticos avançados e de machine learning e que permite a ligação a diversas fontes de dados, podem automatizar-se processos de negócio e acelerar o processo de tomada de decisão”.

A pandemia não poderia ser prevista, pelo que a crise que daí adveio jamais seria evitada, contudo, a utilização de técnicas de forecast e demand planning por empresas de retalho e CPG, pode minimizar e ajudar a prever os efeitos negativos da crise atual.

João Canosa

Account Executive do SAS Portugal

Estas mudanças significativas nos padrões de procura e as constantes perturbações no mercado tornaram indispensável atender às necessidades imediatas dos clientes, mas também de pensar num plano a médio e a longo prazo. E, nesse sentido, o SAS compromete-se em fornecer soluções para ajudar a entender a procura, identificar o comportamento do cliente e otimizar a cadeia de oferta dentro de qualquer tipo de organização.

“Os processos analíticos de previsão da procura podem e devem ser utilizados em qualquer indústria e/ou organização. Apenas é necessário a existência de uma cultura curiosa, analítica e que as pessoas e os processos internos estejam preparados para a utilização destas técnicas, quer seja pela captação, preparação e limpeza das fontes de dados internas ou externas, quer pela análise que as soluções SAS oferecem out of the box e de uma forma visual e explicativa”, afirmou João Canosa.

SAS apresenta soluções para mercados e negócios sobreviverem à pandemia

No dia 18 de dezembro, o account executive do SAS Portugal marcou presença na INSIGHTS 2020, uma conferência digital internacional de uma semana, com foco no que está a acontecer e no que está por vir no mundo do Data Science, onde apresentou algumas soluções do SAS para ajudar negócios em tempos de incerteza. Dentro das soluções apresentadas estão algumas recomendações, especialmente para a previsão de impactos como a Covid-19.

Primeiramente, foi recomendado que se fizesse um investimento nos recursos para detetar as mudanças na procura, dos quais faz parte uma boa base de dados, com variáveis internas e externas, para conseguir analisar o comportamento da procura ao longo do tempo.

“Como há muita informação, para este ponto é recomendado ter uma base de dados interna com histórico da procura de vendas (perceber o comportamento de procura dos clientes antes e depois da situação), níveis de stock, promoções e dados de preços, produtos e localização de recursos, tráfego da loja e no e-commerce, fechos das lojas/datas de abertura”, explicou João Canosa.

Outro ponto imperativo neste tempo de crise é incorporar os dados externos, que devem incluir estatísticas da Covid-19, datas de restrições implementadas pelo Governo, os modelos de SEIR (Susceptible Exposed Infectious Removed), dados dos media, indicadores da economia e tendências do mercado.

Depois, foi ainda referida na conferência a necessidade de ir moldando os eventos e o planeamento de cenários à medida que novas situações vão acontecendo no mundo, por exemplo, com a Covid-19, devem ser inseridos novos dados referentes a todas as fases do novo coronavírus nos modelos de previsão.

“A nossa segunda recomendação pretende aplicar modelos flexíveis e robustos de eventos, criar uma série de casos em cada fase da pandemia, aplicar detalhes de acontecimentos diferentes nos mercados para captar efeitos regionais, cenários de execução, duração do evento, ocorrência e recorrência”, mencionou o account executive do SAS.

Por último, foi ainda dada relevância à elaboração de curvas da procura, a fim de se fazer um agrupamento de mercados impactados pela doença.

“A nossa terceira recomendação consiste em utilizar o máximo de dados que conseguir para outros mercados: primeiro analisar padrões de procura e mudanças no mix de produtos dos primeiros mercados afetados, depois aglomerar séries de tempo com base em mercados com desempenho semelhante e, por fim, fazer previsões ao aplicar padrões de procura em mercados afetados posteriormente ou com ondas subsequentes”, referiu João Canosa.

Nesta última recomendação, ao falar do uso do ponto de comparação com outros mercados para prever o que vai acontecer, o account executive do SAS Portugal realçou que nem sempre a recolha de dados é possível e que, para esses casos, o SAS também encontrou soluções: “É provável que empresas não multinacionais, com mais dificuldade de recolha de dados e realidades de outros países, não tenham forma de se comparar com mercados mais avançados, contudo, a aplicação das duas primeiras sugestões (recolha de mais dados internos e externos e entendimento das curvas da procura) poderão fazer parte de um plano de recuperação com base em plataformas de forecast e machine learning”.

A aplicação das duas primeiras sugestões (recolha de mais dados internos e externos e entendimento das curvas da procura) poderão fazer parte de um plano de recuperação com base em plataformas de forecast e machine learning.

João Canosa

Account Executive do SAS Portugal

No entanto, mesmo com essa opção disponível, o ECO questionou João Canosa sobre a dificuldade da aplicação destas medidas em tão pouco tempo (uma vez que o novo coronavírus foi muito rápido a espalhar-se por todo o mundo). Mas o account executive do SAS Portugal não hesitou na resposta: “É verdade que nunca poderíamos ter previsto o que estava para vir, mas, quando a crise chegou à Europa, muitas das decisões tomadas podiam ter sido baseadas no histórico de dois ou três meses que já existia na China. A existência de plataformas tecnológicas como a do SAS, em combinação com uma cultura analítica, facilita a captação destes novos dados e características matemáticas associadas a curvas de procura”.

Ainda assim, João Canosa chamou a atenção para o facto de se dever olhar para mercados e áreas de negócio similares, uma vez que o padrão de consumo no retalho alimentar será sempre diferente do retalho automóvel, por exemplo.

“O objetivo de olhar para mercados similares noutros países que já estão mais avançados, prende-se com o facto de se poderem antecipar algumas alterações no perfil de compra e padrões de consumo (…) e contornar a dificuldade em obter dados históricos pelo aparecimento de uma crise nunca antes vista”, disse o account executive do SAS.

Novos hábitos de consumo vão ficar enraizados

No início da pandemia, houve alguns produtos que sofreram uma subida abrupta na procura como, por exemplo, o papel higiénico e o fermento, e isso levou à sua escassez. Mas também houve outras áreas, como a restauração e a cultura, que continuam a lidar com as consequências menos positivas de uma quebra acentuada na procura. Foi nesse sentido que o SAS se preocupou em reunir as soluções apresentadas na INSIGHTS 2020, para mostrar que é possível ajudar quer mercados/negócios que têm muita procura como os que tem pouca, uma vez que ambos saem afetados.

Por um lado, os que se veem perante uma procura desenfreada de produtos que, anteriormente, não eram tão requisitados, têm de saber gerir os stocks e a produção. Por outro, os que têm menos procura, devem aproveitar este tempo para se “digitalizarem” e procurarem soluções que funcionem nesta altura.

A necessidade de adaptação e digitalização global levaram a que fossem criados novos hábitos de consumo que, de acordo com João Canosa, vão ficar enraizados, mesmo que seja possível voltar à normalidade: “A digitalização forçada de inúmeros negócios, nomeadamente, retalhistas, é algo que se manterá na nova realidade, pelo que a tendência de compra online se manterá, ou até irá aumentar. Apesar de todos os efeitos negativos desta pandemia, a compra online saiu com confiança reforçada e os consumidores passaram a sentir que são operações seguras e confortáveis. Também se viu uma maior procura no pequeno comércio e é de acreditar que os consumidores quererão evitar multidões, mesmo voltando à normalidade”.

O account executive do SAS Portugal considera, por isso, que, mesmo sendo possível voltar à normalidade, ainda assim, todo o mundo vai estar perante um “novo normal”. “Não só as empresas e consumidores vão adotar um ‘novo normal’. Já vimos países começarem a preparar legislação laboral que inclua o trabalho remoto, também já se começou a assistir a um êxodo urbano, suportado pela digitalização e novas tecnologias. Posto isto, nunca voltaremos a uma antiga normalidade, uma vez que as alterações impostas pela Covid-19 já estão interiorizadas em diversas áreas da sociedade”, diz.

No entanto, João Canosa consegue encarar o lado positivo da situação pandémica, que se prende com tornar mais fácil o trabalho do SAS e possibilitar que cheguem a mais áreas de negócio e outros mercados: “Para o SAS este ‘novo normal’ abre a possibilidade de ajudarmos ainda mais os nossos clientes, uma vez que a utilização de mais tecnologia e mais canais digitais vai gerar mais dados, que têm de ser incorporados nos processos da empresa e assim permitir a tomada de decisão informada”, concluiu o account executive do SAS Portugal.

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