Médicos deram código a menos de 3% dos casos e muito poucos chegaram à app StayAway Covid

Entre 1 de setembro e 5 de janeiro, os médicos geraram códigos para a StayAway para menos de 3% dos casos de coronavírus. E menos de 25% foram voluntariamente introduzidos na aplicação.

Os utilizadores da StayAway introduziram na aplicação menos de 25% dos códigos gerados pelos médicos, códigos esses que permitem a identificação de possíveis infeções pelo novo coronavírus. Ao mesmo tempo, os médicos geraram códigos para apenas 2,7% do total de casos confirmados desde o lançamento do aplicativo, até ao passado dia 5 de janeiro.

Estes dados foram cedidos ao ECO por fonte oficial do INESC TEC e mostram como, depois de um período de forte crescimento da aplicação na reta final de 2020, a StayAway Covid ainda é relativamente pouco usada face à totalidade de casos e de portugueses passíveis de a poderem usar.

De acordo com a referida fonte, até 5 de janeiro, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) geraram 10.560 códigos que permitem aos doentes marcarem-se como infetados na aplicação, enviando, assim, um alerta anónimo para pessoas com quem tenham tido contactos de risco. É uma ínfima parte dos mais de 378 mil casos de Covid-19 confirmados entre 1 de setembro e 5 de janeiro, isto é, entre o lançamento da app e a data a que se refere o número.

Em simultâneo, apenas 2.578 pessoas possuidoras do código gerado pelos médicos optaram por, voluntariamente, se marcarem como infetadas na StayAway Covid. Isto é, menos de 25% do total de códigos existentes.

Além disso, o INESC TEC, entidade promotora da app, dá conta da existência de 2.921.162 downloads da ferramenta em telemóveis com Android e iOS, e ainda da marca Huawei (sem Play Store). O universo potencial de downloads em Portugal é de 6,5 milhões, como revelou ao ECO um dos responsáveis da aplicação.

A StayAway Covid permite identificar possíveis contactos de risco através de uma tecnologia que recorre ao Bluetooth e permite manter o anonimato de todos os intervenientes, incluindo, e sobretudo, o do próprio doente. As autoridades de saúde não têm acesso a informação concreta sobre quem se marcou como infetado e todo o caráter da aplicação é voluntário.

A ferramenta foi desenhada para complementar o sistema manual de deteção de cadeias de transmissão em plena pandemia do novo coronavírus. O seu desenvolvimento custou em torno de 400 mil euros, um investimento financiado pelo próprio INESC TEC.

Estes números são conhecidos depois de um período em que se estima terem havido mais contactos entre os portugueses, por causa das celebrações do Natal e do Ano Novo. O dia fica, desde já, marcado pelo recorde absoluto em novos casos, que esta quarta-feira ultrapassou a fasquia das dez mil novas infeções.

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