Fusões e aquisições nos seguros em 2020: como foi em Portugal, Europa e nos EUA

  • ECO Seguros
  • 10 Janeiro 2021

A tendência nas transações M&A deve manter-se em 2021 com disponibilidades de capital acrescidas por endurecimento de preços nos ramos não Vida e o ambiente de taxas de juro historicamente baixas.

Entre operações anunciadas e fechadas, e excluindo a mega operação de combinação entre as corretoras globais Aon Plc e a Willis Towers Watson (WTW), sujeita a análise aprofundada das autoridades europeias com decisão prevista para o primeiro semestre de 2021, o panorama de fusões e aquisições na indústria seguradora europeia teve como cenário privilegiado o Reino Unido, mas Portugal também esteve em evidência no mapa internacional das M&A (Mergers & Acquisitions) em 2020.

Em Portugal, as oportunidades de negócio em ano de pandemia conduziram à aquisição da corretora Luso Atlântica pela Verlingue, enquanto a insurtech Drivit foi alvo da britânica Zego. Em ambas as transações, anunciadas em dezembro, ficaram por conhecer os montantes envolvidos nas aquisições. No campo das possibilidades, pelo meio do ano, ficou a hipótese de a Associação Mutualista Montepio Geral estar aberta à entrada de um parceiro estratégico na subsidiária de seguros Vida, mas “sem a perda de controlo” da Montepio Seguros/ Lusitania.

No quadro europeu, a operação de maior valor no setor segurador envolveu o tricentenário RSA Group, que aceitou uma oferta conjunta da canadiana Intact Financial e da escandinava Tryg, por um montante estimado de 8 000 milhões de euros. Já em dezembro, a Bain Capital acordou desembolsar 530 milhões pela Liverpool Victoria (LV=), outra seguradora com raízes na história do mutualismo britânico.

Além destas operações de aquisição de controlo empresarial, o ano incluiu diversas outras operações, de compra-venda de ativos, tanto resultantes de estratégias de desinvestimento, que é o caso da AXA, como de reorientação de negócios, como acontece com a Aviva Plc, ou até prosseguindo a ambição de liderança na Europa, reiteradamente assumida pela Generali. Outras transações consolidaram processos de crescimento global, fora da Europa, como foi a operação protagonizada pela Zurich, que se envolveu na aquisição de parte dos negócios da MetLife nos EUA, ou ainda, o caso da Allianz, que ampliou a sua presença na África oriental.

Globalmente, um relatório recente da PwC centrado no mercado norte-americano contabilizou 222 operações anunciadas entre final de junho e meio de novembro, por um montante total de 10,9 mil milhões de dólares.

Entre as de maior significado financeiro no setor segurador incluem-se, nos EUA, a aquisição da Global Atlantic, pela sociedade de investimento KKR, por montante equivalente a 4,4 mil milhões de dólares (book value da Global Atlantic), e da Massachussetts Mutual Life pela Great-West Lifeco, igualmente por 4,4 mil milhões, seguidas da compra da National General Holdings, pela Allstate, por 3,7 mil milhões de dólares.

De acordo com a análise da consultora, depois de uma desaceleração na primavera, o período de julho a setembro de 2020 resulta como um dos três trimestres mais fortes dos últimos três anos em M&A nos Estados Unidos, contabilizando 159 operações de valor superior a 1000 milhões de dólares cada uma, atrás das 168 no 1º trimestre de 2020 e das 165 transações (todas de valor inferior a mil milhões) inventariadas no primeiro trimestre de 2019.

No estudo da PwC Insurance deals insights: 2021 outlook refere-se a expectativa que a tendência de M&A continue em 2021, sobretudo no setor de planos de pensões e anuidades, uma vez que muitas companhias já manifestaram interesse de desinvestir de negócios não estratégicos e competir por canais de distribuição. Outros fatores que poderão facilitar as operações de aquisição são as disponibilidades de capital, acrescidas por via do endurecimento de preços nos ramos não Vida e o ambiente de taxas de juro em níveis historicamente baixos.

A sinalizar que a tendência se deverá manter em 2021, a norte-americana Centene acaba de anunciar que acordou a compra da Magellan Health, uma prestadora de serviços de saúde e farmácia, por um montante estimado de 2,2 mil milhões de dólares, incluindo dívida.

Para lá dos seguros, dados recentes da Refinitiv citados pelo Financial Times indicam que o valor global das transações de M&A em 2020 alcançou 3,6 biliões de dólares, um ano que ficou 5% abaixo dos montantes de 2019 e a fixar o nível mais fraco desde 2017. No entanto, o ano em que foi declarada a pandemia (Covid-19) beneficiou sobretudo dos 2,3 biliões de dólares em operações realizadas na segunda metade do calendário, período em que foram anunciadas oito das 10 maiores transações de 2020.

No topo da lista anual, o setor tecnológico (com destaque para os 44 mil milhões da compra da IHS Markit pela S&P Global), reuniu 679,2 mil milhões de dólares em transações, apontando incremento de 49% face a 2019. Com perto de 20% do total transacionado em M&A em 2020, levou a dianteira ao setor financeiro (com menos de 15% do global anual), seguindo-se no ranking de operações de fusão e aquisição os setores da energia, indústria e saúde, as duas últimas com quota inferior a 10% cada.

Em termos geográficos, o declínio anual foi sobretudo reflexo do que aconteceu nos EUA (-23%, para 1,4 biliões de dólares), enquanto a Europa registou incremento de 35%, para os 989 mil milhões de dólares, seguindo-se Ásia-Pacífico, com 872 mil milhões de dólares em negócios M&A, apontando subida anual de 15%.

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