REN, Semapa e Sonae são as ações portuguesas preferidas do CaixaBI para 2021

Banco de Investimento cobre 14 das 18 cotadas do PSI-20 e antecipa que o índice valoriza entre 20% e 30% em 2021. Considera que a discrepância face a Wall Street dá confiança numa retoma da Europa.

O banco de investimento da Caixa Geral de Depósitos (CGD) escolheu três ações da bolsa de Lisboa como as preferidas para 2021. O pagamento de dividendos (apesar do impacto da pandemia), bem como a capacidade de resistência e recuperação face ao vírus estão entre os principais fatores que levam os analistas do Caixa Banco de Investimento (BI) a escolher a REN, a Sonae e a Semapa como top picks para 2021.

“Apesar de 2020 ter sido um ano atípico em termos de resultados das empresas na maioria dos setores, afetados negativamente pela pandemia, os índices da América do Norte atingiram máximos históricos, sugerindo que os preços das ações europeias têm potencial de recuperação nos próximos meses“, aponta o relatório do CaixaBI de revisão anual das recomendações, a que o ECO teve acesso.

Na Europa, a generalidade das bolsas fechou o ano de 2020 no “vermelho”, sendo que o Stoxx 600 perdeu 4,2% e o português PSI-20 recuou 5,7%. A exceção foi o alemão DAX, que valorizou 3,5%, tal como as bolsas norte-americanas. Não só Wall Street registou ganhos acumulados no ano como os índices S&P 500 e Nasdaq renovaram máximos.

É esta discrepância que leva o banco a acreditar que as bolsas europeias irão acelerar. “Tendo em conta as avaliações das empresas sob a nossa cobertura, antecipamos que o PSI-20 tenha um potencial de valorização entre 20% e 30% em 2021“, diz. O CaixaBI analisa 14 das 18 cotadas do índice de referência nacional. Destas, há três preferidas.

"Os índices da América do Norte atingiram máximos históricos, sugerindo que os preços das ações europeias têm potencial de recuperação nos próximos meses. Tendo em conta as avaliações das empresas sob a nossa cobertura, antecipamos que o PSI-20 tenha um potencial de valorização entre 20% e 30% em 2021.”

Equipa de equity research

Caixa Banco de Investimento

Elevada dividend yield, clara política de remuneração acionista e perfil defensivo com resultados previsíveis e visíveis são as razões para o banco colocar a REN na lista. É um dividendo “assegurado”, que irá manter-se em 0,171 euros por ação em 2021 e, depois disso, o banco espera a esperar “uma política generosa” devido à capacidade de gerar cash flow, apesar do elevado endividamento. O banco recomenda a “compra” das ações, cujo fair value vê nos 3,15 euros (com um potencial de valorização de 32%).

A recomendação para a Sonae é também de “compra”, sendo que, neste caso, o preço-alvo é de 1,30 euros por ação, mais 89% do que o preço de fecho esta terça-feira em bolsa. É preferida por ser “líder no mercado português de retalho alimentar”, por ter um portefólio distribuído por todos os canais de distribuição, devido à perceção da marca e ainda pela participação na Nos, “com uma política de dividendos muito interessante”.

Semapa com potencial de subida de 85%

A terceira cotada preferida é a Semapa, que deverá beneficiar da recuperação da procura por cimento em mercados chave, bem como da exposição à Navigator. O banco lembra “sólida” geração de free cash flow (FCF) em 2020, acima de 2019, e ao forte desempenho do cimento em Portugal e no Brasil. “No caso da Navigator, acreditamos que o mercado está a subavaliar a empresa, o que pode ser um ponto de entrada interessante para um investimento de médio prazo”. O CaixaBI recomenda aos clientes a “compra” das ações, às quais atribui um potencial de valorização de 85% até aos 17 euros.

Consumo, investimento e exportações podem levar PIB a crescer 3,9% em 2021

A pandemia atirou, em 2020, as economias para uma recessão profunda devido ao impacto no turismo, bem como na procura interna e externa. Para travar o tombo da economia, os governos apressaram-se a injetar dinheiro, levando a um agravamento das contas públicas. Para 2021, o Caixa BI espera “a gradual retoma da atividade com o controlo da pandemia”, a “recuperação do consumo privado, investimento e exportações” e “uma melhoria dos indicadores de finanças públicas”.

Face a estas tendências, o CaixaBI estima que a economia portuguesa tenha afundado 8,1% em 2020 e vê uma recuperação de 3,9% este ano. O Governo português antecipa uma recessão de 8,5% em 2020, seguida de uma retoma de 5,4%. Antecipa, no entanto, que a taxa de desemprego agrave de 7,3% no ano passado para 8,8% este ano. Tal como o Ministério das Finanças de João Leão, o banco de investimento nacional vê uma redução do défice orçamental de 7,3% em 2020 para 4,3% em 2021.

Além do impulso dado pela vacinação, a recuperação das economias globais deverá ser ajudada pelos estímulos de bancos centrais e governos. “É esperado que a política monetária continue expansionista nas maiores economias de forma a apoiar a recuperação da atividade após a pandemia, usando as taxas de juro próximas de zero e um conjunto abrangente de instrumentos não convencionais, com impactos positivos para os custos de financiamento de governos, empresas e famílias”, diz o banco.

Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) tem um envelope com 1,85 biliões de euros para comprar dívida até, pelo menos, março de 2022. Já ao nível dos estímulos orçamentais da União Europeia, há mais 1,8 biliões de euros a serem usados ao longo da próxima década pelos Estados-membros: 1,15 biliões de euros através do orçamento comunitário (o Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027) e 750 mil milhões de euros através do Fundo de Recuperação europeu criado especificamente por causa da crise pandémica.

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