Conselho da UE encerrou caso do procurador José Guerra

António Costa garante que o caso está encerrado. Fonte do Conselho da UE explicou que houve reunião sobre esse assunto e que amanhã transmite ao Parlamento Europeu.

O caso do procurador europeu José Guerra — nomeado em Julho do ano passado — e dos lapsos no seu currículo, está “encerrado”. A garantia foi dada por fonte do Conselho da União Europeia, ao ECO e confirmada também por António Costa, esta tarde no Parlamento. “A reunião dos membros do Conselho da UE decorreu na segunda-feira e já não há nenhum dado na agenda relativo a esse assunto”, explicou a fonte. Na quarta-feira, o Conselho da UE vai apresentar ao Parlamento Europeu uma declaração onde ficará decidido que a nomeação do procurador do Ministério Público, escolhido pelo Governo português, é para manter.

Porém, na PGR, continua um inquérito a decorrer para investigar o assunto. Investigação que teve origem numa “denúncia apresentada pela Ordem dos Advogados” e numa outra “denúncia anónima.

Durante a tarde de terça-feira, António Costa admitiu que o Conselho Europeu já deu o caso por encerrado e o mesmo, sabe o ECO, será transmitido aos eurodeputados na quarta-feira. “Não queiram fazer mistérios onde não existem”, disse o chefe do Executivo perante os deputados da Assembleia da República. “Os dados da carta com os lapsos já foram corrigidos e o caso está encerrado”.

Numa carta enviada para a União Europeia (UE), em novembro de 2019, o Executivo apresentou dados falsos sobre o magistrado escolhido pelo Governo para procurador europeu, José Guerra, depois de um comité de peritos europeus ter considerado Ana Carla Almeida a melhor candidata para o cargo. Dia 4 de janeiro já deste ano, a ministra da Justiça enviou uma carta para o Conselho da União Europeia, revelando estes lapsos e informando o “verdadeiro” currículo do magistrado do Ministério Público.

Três dias depois — a 7 de janeiro deste ano — o ECO sabe que houve uma comunicação informal sobre esta questão aos membros do Antici. Grupo este que atua de forma informal, composto por funcionários que exercem nas Representações Permanentes e junto dos seus representantes funções semelhantes às de chefe de gabinete de um membro de um Governo. E que agora o próximo passo — por estes dias — será o de discutir esta questão numa reunião formal com os membros do CE responsáveis por esta questão.

Na carta, que o ECO consultou, José Guerra é identificado com a categoria de “procurador-geral-adjunto”, que não tem, sendo apenas procurador, e como tendo tido uma participação “de liderança investigatória e acusatória” no processo UGT, o que também não é verdade, porque foi o magistrado escolhido pelo Ministério Público para fazer o julgamento e não a acusação.

Um comité de peritos da União Europeia considerou que, entre os três candidatos apresentados por Portugal, Ana Carla Almeida era a melhor para o cargo de procuradora europeia, mas o escolhido pelo Conselho Superior do Ministério Público acabou por ser José Guerra. Numa carta enviada ao Conselho da UE, o Executivo discorda dos peritos, argumentou que Guerra era o candidato “mais qualificado” referindo dados errados como a categoria de “procurador-geral-adjunto”, sendo que é apenas procurador da República.

Francisca Van Dunem reiterou que os três “lapsos” na informação curricular constantes no documento “não foram determinantes” para a escolha do procurador europeu e que a nota não era o currículo, que estava anexo ao processo e era do conhecimento do Conselho, e que houve “vários contactos sobre esse assunto”, sendo essa nota um desses contactos.

“Nenhum desses lapsos é determinante da escolha que é feita. O Conselho não é um grupo de alienados mentais”, disse a ministra, depois de por várias vezes ter insistido que a decisão do Conselho não foi tomada com base na nota enviada.

Sobre os três lapsos apontados ao documento, e que o MJ diz serem dois, a ministra afirmou que “não há nenhuma intenção específica” na identificação de José Guerra como procurador-geral adjunto, um cargo que não existe em Portugal.

“Já assumi publicamente que relativamente a esse documento há lapsos. Não aceito é dizerem que nesse documento o currículo do candidato foi viciado. A explicação que dei é esta: partiram do pressuposto que esse senhor seria procurador-geral adjunto”, disse a ministra.

Sobre a referência incorreta no documento à participação do procurador na investigação do processo UGT, a ministra sublinhou que José Guerra acompanhou o julgamento durante um ano, que o julgamento é a parte mais importante do processo penal português e que o procurador europeu é nomeado para investigação e julgamento. Disse ainda que José Guerra esteve em “inúmeras outras investigações” a fraudes com fundos comunitários, nomeadamente respeitantes ao Fundo Social Europeu.

Francisca Van Dunem disse ainda que a identificação de José Guerra como o procurador que chefiava a maior secção nacional do Ministério Público (MP) do país não está incorreta. No currículo vinha referenciado o DIAP de Lisboa como sendo esse departamento, quando na verdade é o DCIAP, onde José Guerra nunca esteve.

“Rigorosamente falso. Não falo com o doutor José Eduardo Guerra. Falei com ele agora sobre estas questões que o deixam efetivamente preocupado, porque para além do mais põem em causa a estabilidade do membro nacional da Procuradoria Europeia”, disse.

Na passada quinta-feira, a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, explicou ainda aos deputados no Parlamento as incorreções no currículo do procurador europeu José Guerra enviadas ao Conselho da União Europeia, que já provocaram a demissão do diretor-geral da Política de justiça, Miguel Romão. Admitiu que ponderou demitir-se e assumiu que houve erros na “nota” enviada ao organismo europeu.

 

 

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