Preparadas para a transformação digital? Quase dois terços das empresas dizem possuir os recursos necessários

Em apenas dois anos, mais de 20% das empresas aumentaram os recursos, ao nível tecnológico e de liderança, para melhor enfrentar a transformação digital.

Se a transformação digital já estava em curso, a pandemia mundial tem vindo, por um lado, a acelerar o seu ritmo e, por outro, a evidenciar a sua importância. As empresas parecem mais confiantes sobre terem o que precisam para serem bem-sucedidas nesta missão.

De acordo com o estudo “Digital Mastery 2020: organizations have progressed in their digital transformations over the past two years”, realizado pelo Capgemini Research Institute, 60% das empresas revelam possuir os recursos necessários para fazer uma transformação digital de maneira eficaz, mais 24% do que em 2018.

No que toca a recursos ao nível da tecnologia, 60% das empresas afirma estar preparada, um valor muito próximo dos recursos possuídos ao nível da liderança (62%), verificando-se um crescimento de 36% em ambas as áreas. “Em apenas dois anos registou-se um aumento exponencial das competências digitais e de liderança necessárias para alcançar o sucesso nos projetos de transformação digital. O ritmo acelerado e contínuo da inovação tecnológica e a disrupção dos modelos de negócio nos últimos dois anos, com a Covid-19 a obrigar muitas empresas a reinventarem-se, foram possivelmente os responsáveis por este avanço,” afirma Claudia Crummenerl, managing director, people and organization da Capgemini Invent, em comunicado.

Desigualdades no setor e na dimensão

É certo que o grau de evolução das competências digitais nas empresas aumentou de uma forma transversal, mas também o fosso entre digital masters (empresas com elevado nível de competências digitais e de liderança) e as demais empresas se acentuou.

“A pandemia Covid-19 revelou ser um importante acelerador da digitalização, ao colocar uma maior pressão sobre as empresas no que toca à necessidade de mudança. Os níveis de entusiasmo e otimismo das empresas face à maturidade das suas competências e recursos também aumentaram. Não obstante, desde 2018 verifica-se que as empresas têm demorado a compreender quais os desafios que é necessário superarem para alcançar a transformação digital bem-sucedida”, lê-se no comunicado da Capgemini.

Existem também algumas desigualdades consoante o tipo de atividade em questão, com o setor do retalho a destacar-se das demais áreas de negócio. Em 2020, 73% dos retalhistas dizem possuir os recursos digitais necessários para a transformação, enquanto em 2018 apenas 37% podia afirmá-lo.

Também o setor das telecomunicações está a ganhar terreno, com 71% das empresas a afirmarem possuir as competências e ferramentas a que a transformação digital obriga. O crescimento em termos de competências é, no entanto, liderado pelo setor automóvel, que passou dos 32%, em 2018, para 69%, em 2020.

Além do setor de atividade ser um fator influenciador, também a dimensão da empresa acaba por determinar o grau de preparação para enfrentar a transformação digital. As grandes empresas, com receitas de, pelo menos, 20 mil milhões de dólares, estão em vantagem na evolução dos recursos digitais e de liderança. Enquanto 68% destas empresas afirmam estar preparadas, apenas 55% das empresas com receitas inferiores a 10 mil milhões de dólares pode dizer o mesmo.

A barreira está nas soft skills e na cultura

Ainda que o estudo realizado pela multinacional francesa revele que as empresas estão, mais do que em 2018, a conseguir envolver os seus colaboradores na jornada da transformação digital, menos de metade das empresas (48%) está, realmente, a investir no desenvolvimento de soft skills, como a inteligência emocional, a adaptabilidade e a colaboração.

Esta é talvez a maior barreira à transformação digital, a par da cultura empresarial. “Algumas empresas simplesmente possuem culturas que não valorizam as novas ideias e a experimentação”, lê-se no comunicado.

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