Da Delta à Imperial. Exportadoras agroalimentares apostam na primeira feira 100% virtual 

74 empresas portuguesas vão marcar presença na primeira feira 100% digital do setor agroalimentar. Para o tecido industrial é uma "oportunidade de negócio" em tempos de pandemia.

Café, conservas, azeite, chocolate, frutas, legumes e vinhos são alguns dos produtos que fazem parte do cabaz alimentar com sabor português que estará em exposição na primeira feira 100% virtual do setor agroalimentar. A Digital Agrifood Summit Portugal arranca esta quarta-feira com a presença de 74 empresas do setor.

Em tempos de confinamento é através do digital que os sabores e marcas made in Portugal se reúnem para darem a conhecer ao mundo os seus produtos. O ECO falou com algumas empresas que vão marcar presença, até 23 janeiro, entre elas a Delta, Ramirez, Imperial e Herdade Vale da Rosa. Para as exportadoras, este tipo de iniciativas é uma oportunidade de encontrar potenciais clientes e uma forma de se adaptarem a esta nova realidade mais digital.

Mesmo num contexto difícil fruto de um ano atípico, o setor agroalimentar conseguiu manter o vigor das suas exportações e entre janeiro e novembro de 2020, as exportações mantiveram a dinâmica do ano anterior, atingindo 5.700 milhões de euros. Parte do setor está a beneficiar da crise pandémica, já que exportou mais do que no ano passado. É o exemplo da Ramirez que fechou o ano com um crescimento de 30% a nível global.

A mais antiga fábrica de conservas em laboração no mundo exporta para cerca de 50 países nos cinco continentes e mais de 50% do volume de negócios da Ramirez advém do mercado externo. Para a empresa é muito importante marcar presença neste tipo de iniciativas. “Quem exporta tem de ter uma presença assídua nos mercados internacionais, é importante não descurar estas oportunidades. Não podíamos ficar de fora desta feira”, explica o export manager da Ramirez, Manuel Moreira.

“Esta feira é uma oportunidade e uma forma interessante de identificar potenciais clientes”, destaca Nuno Gonçalves Morgado, diretor de exportação da Imperial, maior fabricante de chocolates a nível nacional.

A Ramirez, Imperial, Delta e Herdade Vale da Rosa considerarem este tipo de iniciativas uma oportunidade de negócio, mas sentem falta do contacto direto com o potencial cliente e lamentam não ter a possibilidade de dar a provar os produtos. “Numa feira virtual não podemos apresentar a qualidade do nosso produto e dar a degustar”, lamenta o diretor de exportação da Imperial, que exporta 30% da produção de chocolate para mais de 40 mercados.

Apesar de ser uma feira onde não é possível ver, cheirar e provar, a opinião é unânime. Todos os intervenientes ouvidos pelo ECO consideram que participar num evento destes é uma oportunidade de negócio, mesmo sem o fator sensorial. A Ramirez sublinha que estes formatos online “não têm nada a ver com uma feira presencial” e que “faz falta a degustação dos produtos”. Mas, mesmo com esta barreira impossível de quebrar, Manuel Moreira, export manager da conserveira, lembra que as empresas devem “adaptar-se a esta nova nova realidade” e que este tipo de iniciativas acabam por ser uma “oportunidade de negócio”.

Entre as principais vantagens de marcar presença na primeira feira 100% virtual nesta fileira está o menor custo de participação, a flexibilidade de horários e o facto de não exigir deslocações, destacam os intervenientes. O export manager da Ramirez refere que o “custo não tem nada a ver”estar presente num stand virtual é “10% do custo de uma presença num stand real”. Manuel Moreira exemplifica que uma presença numa feira como a Sial pode custar entre 12 a 15 mil euros por seis metros quadrados e neste caso a presença não chega aos 2.000 euros, é uma diferença abismal”, conta.

O diretor-geral da Herdade Vale da Rosa concorda e destaca também que a adesão a este tipo de eventos 100% digitais é “um processo mais simples e rápido, com custos mais baixos para as empresas”. “Não exigindo deslocações, torna todo o processo mais ágil e dinâmico”, sublinha Joaquim Praxedes.

Nesta feira, as empresas vão estar presentes em stands virtuais que podem ser visitados pelos compradores internacionais e, na plataforma online, podem agendar reuniões de negócio para conhecer organizações, produtos ou fechar negócios. Para o responsável pelas exportações da Ramirez, esta é uma boa solução já que permite “otimizar as reuniões“. “Temos uma ferramenta que nos permite fazer o booking das reuniões, mostrar ao usuário se a pessoal está disponível para reunir em tempo real. Temos até a flexibilidade para alargar contactos para uma fase posterior à feira”, acrescenta.

Empresas querem adaptar-se à transição digital

A transição digital é um dos grandes desígnios para a próxima década. As empresas do setor agroalimentar consideram que os tempos estão a mudar e que este tipo de iniciativas ajudam à adaptação a uma nova realidade no mundo dos negócios. “Há um caminho completamente novo e queremos aprender a percorrer este caminho. Neste último ano, grande parte das nossas interações foram maioritariamente digitais e achamos natural percorrer este caminho de aprendizagem e de aperfeiçoamento. Temos de olhar para a frente e perceber como é que vamos conseguir tirar partido destas novas capacidades de interação”, destaca Miguel Ribeirinho, head of international business development da Delta, que exporta 30% da produção para mais de 35 mercados.

O diretor-geral da Herdade Vale da Rosa, Joaquim Praxedes, destaca ainda que os processos de transição “não são fáceis”, requerem tempos de adaptação e ganhar experiência. “A cultura do digital ainda não está propriamente enraizada e requer algum tempo de adaptação. De qualquer forma, o setor agrícola sempre tem dado provas da sua agilidade e capacidade de adaptação. Estamos em crer que com esta matéria não será diferente”, refere.

Todos os intervenientes defendem que o digital veio para ficar. “O digital vai fazer parte do nosso futuro complementando todos os outros formatos que esperamos poder retomar em breve”, diz o diretor da Herdade Vale da Rosa que exporta 25% da produção.

Com os principais parceiros europeus em lockdown este tipo de iniciativas, promovida pelo consórcio Portuguese Agrofood Cluster, pretende potenciar os negócios de forma inovadora e integrada e assim manter o crescimento das exportações agroalimentares nacionais mesmo em tempos tão adversos.

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