Portugal tem apenas 14% de mulheres em lugares de gestão de topo. Há “espaço para melhorar a vários níveis”

Das empresas analisadas, apenas os CTT, a Jerónimo Martins e a F. Ramadas Investimentos têm um índice de diversidade de género superior à média europeia.

Portugal está em 13.º lugar no ranking europeu de representatividade de género nos conselhos de administração e nos cargos executivos das maiores empresas europeias. Ainda que esteja longe das melhores posições, segundo o estudo Gender Diversity Index 2020 (GDI), as 600 empresas registadas no STOXX Europe de 16 países europeus, incluindo Portugal, têm progredido, embora lentamente, relativamente à igualdade de género.

Com uma pontuação de 0,44 no índice de diversidade de género, o país apresenta um resultado que é 0,12 pontos abaixo da média europeia, pode ler-se em comunicado. Aliás, Portugal apresenta uma pontuação inferior à média em quase todos os indicadores do índice, com pontuações especialmente baixas para a percentagem de mulheres com cargos executivos de gestão (14%) e mulheres em comités (21%).

“Nenhuma das empresas analisadas em Portugal tem um diretora executiva feminina, enquanto 6% das empresas têm uma mulher no conselho de administração”, revela o estudo. Apenas três empresas portuguesas têm um índice de diversidade de género superior à média: CTT, Jerónimo Martins e F. Ramadas Investimentos. A classificação máxima foi para os CTT que, embora não tenham mulheres na liderança do conselho de administração, elas representam 60% dos cargos de direção e do comité de gestão.

"Para além do género, são hoje questões estruturantes a integração de diferentes gerações e culturas, o acolhimento de millennials, as competências-chave para a permanente mudança, os novos segmentos de negócio, o ambiente tecnológico, as condições de trabalho remoto e a gestão de equipas à distância.”

Mariana Branquinho

Board member da PWN Lisbon

“A edição de 2020 do índice revela que Portugal está numa posição com espaço para melhorar a vários níveis. Para além do género, são hoje questões estruturantes a integração de diferentes gerações e culturas, o acolhimento de millennials, as competências-chave para a permanente mudança, os novos segmentos de negócio, o ambiente tecnológico, as condições de trabalho remoto e a gestão de equipas à distância”, afirma Mariana Branquinho, board member da PWN Lisbon, em comunicado.

Pouco a pouco, há mais diversidade de género na Europa empresarial

De uma maneira geral, o estudo revela que houve um progresso no que toca à diversidade de género na Europa empresarial. “O número de mulheres CEO’s aumentou de 28 para 42, o número de empresas com uma quota feminina de 99 para 129, e as mulheres nos conselhos de administração representam agora 9% em comparação com os 7% em 2019. O GDI médio aumentou de 0,53 para 0,56 e o número de empresas com um GDI superior a 0,8 duplicou de 30 para 62”, refere Päivi Jokinen, presidente da European Women on Boards.

No entanto, quando se analisa individualmente cada um dos países, o estudo apresenta grandes diferenças. As empresas cotadas em bolsa da Noruega, França, Reino Unido, Finlândia e Suécia são as que estão mais próximas de ter uma liderança equilibrada em termos de diversidade de género, com as mulheres a assumirem cargos de gestão de topo. Por outro lado, são as empresas da Polónia e da República Checa as que mais longe estão de ser equilibradas nas suas escolhas de liderança.

Impacto da pandemia foi mais negativo para as mulheres

O Gender Diversity Index 2020 analisou, também, o impacto da pandemia mundial e concluiu que, a par da saúde, a Covid-19 acabou por prejudicar o bem-estar e o equilíbrio entre a vida profissional e familiar de muitos profissionais, expondo muitos a despedimentos ou a medidas de desemprego temporário.

As mulheres foram, no entanto, as mais afetadas pela perda de postos de trabalho. Além disso, “sofreram um maior stress por terem de combinar o trabalho doméstico com o acompanhamento escolar em casa e outras tarefas familiares”.

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