Portugal foi o sexto Estado-membro que mais financiamento recebeu do Fundo Europeu de Investimento em 2020

Desempenho de 2020 quase quadruplicou os resultados de 2019, o que representou o segundo maior aumento anual de todos os Estados-membros. Foram assinados contratos de 950 milhões.

Portugal foi o sexto Estado-membro que mais financiamento recebeu do Fundo Europeu de Investimento em 2020. No total foram assinados 16 operações com intermediários nacionais que ascenderam a 950 milhões de euros, de acordo com dados enviados ao ECO pelo braço de capital de risco do Grupo Banco Europeu de Investimento. Mas o objetivo é triplicar esta meta em 2021.

Este montante representa 7,4% do financiamento total do FEI. Ao alavancar por três cada euro investido foi possível financiar PME e midcaps nacionais, ou seja, empresas que têm até três mil trabalhadores, com mais de 2,8 mil milhões, através de empréstimos e investimentos em equity.

A Transoliveira é um exemplo de uma empresa que viu num empréstimo com garantias europeias a solução para ultrapassar os problemas gerados pela incerteza que a pandemia trouxe. Claro que também usou as ajudas disponibilizadas pelo Estado português. A transportadora de Oliveira do Hospital, em Coimbra, teve de travar a fundo de março a junho já que os seus principais clientes, por toda a Europa, foram afetados pelos confinamentos decretados para travar a evolução da pandemia. Mas depois de três meses com os camiões parados, com o retomar da atividade voltaram a transportar metal pesado, cimento e ferro. E setembro foi mesmo o melhor mês de sempre. Mas a incerteza está longe de ter passado, como reconhece o proprietário da transportadora Pedro Oliveira, citado no site do FEI.

Em 2020 foram 3.473 as PME e small mid-caps apoiadas em Portugal através de bancos e outros intermediários financeiros, como a CGD, Millennium BCP, BPI, Montepio, Crédito Agrícola, Santander, Vallis Capital Partners, HCapital Partners e Crest Capital Partners.

O desempenho de 2020 quase quadruplicou os resultados de 2019, o que representou o segundo maior aumento anual de todos os Estados-membros. Nesse ano, o FEI financiou 243 milhões de euros, o que colocou Portugal em 12.º lugar entre os Estados-membros beneficiários. Com este montante foi possível alavancar 10,2 mil milhões de euros.

A Unbabel foi uma das empresas apoiadas em 2019. Esta start-up de origem portuguesa recebeu 60 milhões de dólares numa ronda de financiamento liderada pela capital de risco americana Point72 Ventures, à qual se juntou e.ventures, a Greycroft e a portuguesa Indico Capital Partner, que é apoiada pelo FEI. Esta plataforma de tradução humana era um possível unicórnio e a Fast Company classificou-a como uma das mais inovadoras do mundo, mas a pandemia trocou-lhe as voltas e forçou-a a despedir, em abril, 35% da sua força de trabalho, ou seja, 90 colaboradores.

Das 16 operações realizadas em 2020, nove encaixam-se na atividade normal do FEI de apoio às PME inovadoras e sete no âmbito da resposta à Covid-19, que “não se focam em nenhum setor em especial e resultam de um aumento de dimensão e flexibilidade dos contratos existentes para permitir aos intermediários e às PME responderem aos desafios da pandemia”, explicou fonte oficial da instituição.

Para este ano, a meta é triplicar a atividade do fundo. De acordo com o plano operacional, o objetivo é alcançar 30 mil milhões de euros em financiamento, sendo uma parte significativa resultante da mobilização do Fundo de Garantia Pan-Europeu, dotado de 25 mil milhões de euros, que permitirá mobilizar até 200 mil milhões de euros suplementares de financiamento para empresas em dificuldades devido à Covid-19, com enfoque nas PME em toda a UE. Até ao final de 2020, foram aprovados 5.400 milhões de euros de financiamento deste fundo, que foi acordado em abril do ano passado pelos Estados-membros no âmbito do pacote de medidas de emergência face à crise económica desencadeada pela pandemia, mas que só arrancou no outono.

Além disso, o FEI garante que Portugal tem uma carteira de projetos “muito forte” para 2021, “o que representa um empenho forte de todos os players do mercado para responderem aos desafios que as PME e midcaps nacionais enfrentam”.

Mas estes dados são apenas referentes ao FEI, ou seja, ainda falta saber os dados do Banco Europeu de Investimento – que serão conhecidos dentro de algumas semanas – para se ter o retrato global da atividade do Grupo Europeu de Investimento em Portugal.

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