Portugal foi o 4.º país que mais beneficiou do apoio do BEI. Metade das verbas ajudou a combater efeitos da pandemia

O Grupo BEI apoiou 27 operações em Portugal, num total de financiamento de 2,3 mil milhões de euros, o que equivale a 1,2% do PIB português. Metade do apoio destinou-se ao combate à pandemia.

Portugal foi o quarto país europeu que mais beneficiou do apoio do Banco Europeu de Investimento (BEI), em percentagem do PIB, em 2020. Foram financiados 2,33 mil milhões de euros, valor que representa um aumento de 44% face a 2019, revelou esta terça-feira Ricardo Mourinho Félix, vice-presidente do banco e responsável pela atividade no país. Metade deste apoio foi dedicado ao combate dos efeitos da pandemia na economia.

O Grupo BEI apoiou 27 operações em Portugal, num total de investimento que equivale a 1,2% do PIB português. As PME nacionais continuam a representar uma parte significativa da atividade do BEI em Portugal e “não podia deixar de ser assim dada a necessidade e impacto da Covid”, explicou Mourinho Félix, sublinhando que as prioridades do banco, em Portugal, foram variando ao longo do tempo. Assim, 72% da atividade do banco foi em 2020 dedicada às PME, quando noutros anos rondou os 50%, precisou.

 

Para mitigar os efeitos da pandemia, as medidas adotadas pelo BEI concentraram-se no apoio ao setor da saúde e das PME. Foram assinadas dez operações em Portugal, com um volume total de 1.300 milhões de euros, o que representa 56% do total da atividade de financiamento do Grupo. Portugal foi assim o quarto país com maior volume de financiamento concedido para projetos relacionados com a Covid-19.

Mourinho Félix sublinhou ainda a resposta do banco à Covid “foi variando ao longo do tempo”, tendo de início, em fevereiro/março optado por acelerar as aprovações e desembolsos, dando maior apoio às PME e concentrando mais os investimentos no setor da saúde. Depois, em abril, o banco alargou os critérios de elegibilidade e houve um aumento dos montantes de financiamento.

Em abril houve o aumento do pacote de apoio de emergência, através do apoio do fundo europeu de garantias, com 25 mil milhões euros dos Estados membros, que tem a expectativa de mobilizar até 200 mil milhões de investimento. E ao nível do setor da saúde foi feita uma aposta em empresas nas áreas de biomédicas, “com destaque para o desenvolvimento da vacina da BioNtech, que recebeu do BEI 100 milhões de euros, não só para a investigação, mas também para a ampliação dos laboratórios de forma a poderem produzir vacinas em larga escala”, afirmou o vice presidente do BEI.

Para fornecer liquidez às empresas foi fechado um financiamento de 340 milhões de euros com Banco Português de Fomento, mas também duas operações de titularização com o Grupo Santander e Montepio e “que marcaram o regresso do BEI ao mercado de securitizações em Portugal” de onde estava arredado desde a crise financeira.

Mourinho Félix sublinhou que Portugal pode “contar com o BEI em 2021 para continuar este caminho de sucesso” e revelou que “o BEI tem já conversas com o Governo português que está a preparar a sua estratégia de recuperação económica”. No âmbito da ‘bazuca’ europeia, o antigo secretário de Estado das Finanças de Mário Centeno sublinha que países como Portugal, “mais pequenos e com capacidade de implementação e absorção diferentes, o BEI pode ter papel muito importante na avaliação dos projetos e capacitação para absorver os fundos afetos no plano de recuperação”.

(Notícia atualizada com mais informação)

 

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