Novo CEO da Galp quer “clarificar a estratégia” e promete mudanças em maio

Na primeira conferência com analistas desde que assumiu o cargo, Andy Brown define como prioridades acelerar a transição energética, mantendo disciplina financeira e garantido estabilidade.

Há duas semanas no cargo, o novo CEO da Galp Energia, Andy Brown, elogia a empresa que encontrou, cuja situação atribui ao antecessor Carlos Gomes da Silva e às equipas no terreno. No entanto, considera que é preciso definir uma estratégia clara, o que fará em maio. O britânico sublinha ainda que a pandemia não passou, pelo que é necessário ser prudente.

“Estou muito entusiasmado com o que encontrei. Olhando para o futuro, temos de clarificar a estratégia. Temos um portefólio forte, mas não podemos ter medo de tomar decisões difíceis“, disse Brown, na sua primeira conference call com analistas enquanto CEO da petrolífera. Anunciou que a empresa vai realizar um Capital Makerts Day em maio, onde irá fazer um balanço dos primeiros meses na liderança da Galp e apontar prioridades estratégicas.

Ainda assim, deixou algumas indicações. “Não tenham dúvidas: seremos orientados para o valor e para o crescimento sustentado”, afirmou, sublinhando que o seu trabalho será acelerar a transição energética da Galp, mantendo disciplina financeira e garantido que a empresa é estável e limpa. “Apesar do entusiasmo em relação ao futuro, o curto prazo é desafiante. A pandemia não passou e temos de ser prudentes nos investimentos. Seremos disciplinados“.

As declarações seguiram-se à divulgação de resultados antes da abertura do mercado. A Galp Energia registou prejuízos de 42 milhões de euros em 2020, um resultado negativo que compara com os 560 milhões de euros de lucro alcançado no ano anterior. As condições de mercado “particularmente adversas” devido à pandemia foram apontadas como principal razão para o desempenho.

Além disso, na sequência da decisão de concentrar as atividades de refinação no complexo de Sines, descontinuando as operações de refinação em Matosinhos a partir de 2021, e de acordo “as melhores estimativas atuais”, a Galp registou 35 milhões de custos de restruturação, bem como imparidades e provisões no montante de 247 milhões, “todos considerados como eventos não recorrentes”, num total após impostos de 200 milhões.

Petrolífera tem 200 milhões para renováveis em 2021

Em sentido contrário, o CFO Filipe Silva ressalvou que a produção média no indicador working interest cresceu 7% face ao ano anterior, fixando-se em 130 mil barris por dia. Também o investimento aumentou 5% em 2020 para um total de 898 milhões de euros (mais 42 milhões do que no ano anterior).

O investimento líquido de alienações deverá situa-se, em 2021, entre 500 milhões e 700 milhões de euros. “Uma grande quantidade de dinheiro irá para renováveis” explicou o CEO Andy Brown. “Gostaríamos de aumentar o portefólio de renováveis e aumentar a sua resiliência”, avançou, explicando que, deste total, 200 milhões de euros serão investidos no reforço das renováveis.

Após ter comprado a empresa espanhola de energia solar ACS no ano passado, a Galp Energia pretende continuar a apostar neste segmento e espera atingir uma produção de 1,2 gigawatts no fim deste ano e de 10 gigawatts até 2030. Brown explicou que foram identificadas várias oportunidades de investimento que serão analisadas.

Além das renováveis, o pré-sal no Brasil e o gás natural em Moçambique também serão alvo de investimento, sendo que ambos os ativos foram classificados por Brown como “de excelência mundial”. Admite ainda entrar em novos mercados, mas preferiu deixar os pormenores para maio. No entanto, o gestor garante que a prudência irá ditar os investimentos. “Dado que vamos ser prudentes no capex, temos de o ser na remuneração dos acionistas”, afirmou Brown.

Em 2020, a Galp Energia vai propor o pagamento de um dividendo de 35 cêntimos por ação (o que representa um corte de 50% face ao ano passado), enquanto no próximo ano já espera subir a remuneração acionista para 50 cêntimos e na atualização do plano estratégico será definido uma política de remuneração acionista. “Somos uma empresa que tem um crescimento diferenciado, uma empresa que não quer ser avaliada apenas pela distribuição de dividendos, queremos combinar crescimento e retorno para os acionistas”, acrescentou o CEO.

(Notícia atualizada às 16h15)

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